Juremir Machado da Silva

Não entrega, não entrega

Não entrega, não entrega



Um leitor me acusa de ser inconstante.
Tem razão.
Ele me acusa de mudar de opinião todos os dias e de não ser coerente.
Diz que sou um comentarista fardado.
Tem razão.
Eu não presto.
Mudo de opinião como quem muda de camisa.
Pior do que isso. Tem dias que repito uma camisa.
O leitor, um gremista, estava me criticando por defender num dia que o Grêmio entregue o jogo para o Flamengo e, no dia seguinte, sustentar o oposto.
Ou seria o contrário?
Estou confuso. Eu queria que o Grêmio fosse trouxa e não entregasse. Eu sei que o Inter entregaria. Mas o certo seria não entregar. Mas o que é certo?
O certo é fazer o certo, certo? Errado.
O certo é saber o que é certo.
Eu não sei.
Todo torcedor é chato. Eu sou chato.
Mais chato é torcedor falando em direito de torcedor, em respeito ao torcedor, coisa e tal.
Torcedor não devia ter direito algum (salvo de ver o jogo pelo qual pagou o ingresso)
Futebol só serve para jogar conversa fora.
Futebol é irrelevante. Futebol é papo furado.
Eu adoro papo furado. Eu sou irrelevante.
Vivo para jogar conversa fora.
Como seria a vida se Inter e Grêmio não existissem?
Igual.
Futebol só serve para uma coisa: tocar flauta.
Torcedor politicamente correto não quer flauta.
Se eu fosse presidente do Grêmio, mandava o time tomar 12 a 0 só para tocar flauta nos colorados.
Se fosse presidente do Inter, botava o Grêmio na justiça para aprender a não dizer que vai entregar jogo.
Eu sou contraditório.
Tem dias que amanheço argentino e digo que Maradona foi melhor do que Pelé. Garrincha também foi.
Hoje, pensando bem, acho que o Grêmio deve ajudar o Inter. Três linhas atrás eu achava o contrário. Mudei.
Como dizia o poeta, me contradigo sim pois o meu sangue nunca coagula. O perigo é uma hemorragia.