Juremir Machado da Silva

Não houve golpe militar no Brasil em 1964

Não houve golpe militar no Brasil em 1964

Prezados.
Na manhã de sexta-feira, 26, ouvi o infeliz comentário do Juremir sobre o Exército Brasileiro, próprio de alguém que desconhece as Forças Armadas e, em particular, o Exército.
A prestação do Serviço Militar, que tudo indica não tenha feito, certamente mudaria essa visão.
Não sou militar, mas aprendi a respeitar e admirar as FFAA desde o berço, sendo neto de Juvenal Feliciano dos Santos, coronel Médico, do Exército, sobrinho de Evaldo Machado dos Santos, brigadeiro Médico, da Aeronáutica, por parte de mãe, e sobrinho e filho de ilustres comandantes militares do Exército, Ruy e Adolpho João de Paula Couto.
Desde o berço não é força de expressão, pois nasci no Hospital Militar do Fort Leavenworth, Kansas, Estados Unidos, durante o período em que o pai cursava o General Staff College, a Escola de Estado-Maior do exército americano. As minhas infância e juventude foram em vilas militares e a formação básica nos colégios militares, do Rio de Janeiro e Porto Alegre, durante o período referido como ditadura.
Não é quero me alongar, mas é inquestionável que durante a chamada Guerra Fria havia uma bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética, sistemas econômicos e regimes de governo, e que havia um movimento de países da AL, entre eles o Brasil, de aproximação com os soviéticos. O que eu ouvia na minha casa era uma preocupação crescente com os sinais de esquerdização do país, identificados pelo uso das técnicas de enquadramento da sociedade em grupos de interesse, de modo a potencializar a exploração das chamadas contradições internas, as imperfeições, os defeitos, as falhas no arcabouço institucional cuja reparação era requerida pelos diversos setores.
Desta forma, foram enquadrados os trabalhadores em sindicatos, os estudantes na UNE e congêneres, os católicos nas Comunidades eclesiais de Base CEBs, motivados pela releitura das Escrituras na chamada Teoria da Libertação, os moradores das periferias das grandes cidades com a tese da função social da terra, foram arregimentados no Movimento dos Sem-Terra e na Via Campesina, versão internacional do movimento, aos políticos descontentes de todos os matizes foram alcançadas bandeiras explorando todas essas e muitas outras contradições internas de uma sociedade em evolução e estruturada uma poderosa estratégia de atuação política, surgindo o PT, o estuário de uma vasta gama de correntes, que aí está.
Portanto, é falsa e absurda a assertiva de Golpe Militar, de que os militares queriam o poder a qualquer custo.
Ao contrário, os militares têm ojeriza do meio político, pois aí não valem os princípios e valores que praticam. Como se sabe, eles foram empurrados a tomar uma atitude pelo clamor do Povo e o objetivo era reorganizar as instituições, retomar a paz e voltar aos quartéis. Castelo Branco falava em eleições em um a dois anos.
Outros interesses mudaram o curso da história.
Porém, jamais tive conhecimento de que um desses chefes militares teria se locupletado, enriquecido.
Ao contrário, e aqui falo em relação a minha própria família, sempre tivemos uma vida espartana.
Observo a mesma situação nos velhos companheiros. Apesar de fortes insinuações de que havia corrupção, especialmente devido ao fantástico volume de obras públicas do chamado período do Milagre Brasileiro, soube-se mais tarde que o caxiense Mario Andreazza, ex-Ministro dos Transportes, morreu pobre e uma ’vaquinha’ entre companheiros teria pago o seu enterro.
É um contraste gritante com a realidade que assistimos, quando aqueles que criticavam e detratavam no período de exceção, muitos deles advindos da subversão e do terrorismo, agora recebedores da bolsa terrorismo, a indenização aos perseguidos políticos e detentores do poder, nos proporcionam um espetáculo trágico de aparelhamento partidário da máquina pública, aumento do tamanho do Estado, diretamente, coma criação de milhares de cargos públicos e sua lotação por critérios partidários, e indiretamente, com o incremento da participação de estatais no mercado, onde se destaca a atuação predatória da Petrobrás, visível no episódio do Grupo gaúcho Ipiranga e o escândalo Sadia Perdigão, operação que permitiu a criação de uma mega empresa, player mundial, tudo comandado pelos feudos petistas, os fundos de previdência das estatais, em meio a um mar de corrupção.
No meio militar se cultuam os valores, a ética, a verdade, a conduta, o civismo e o espírito público, algo em desuso em nossa Sociedade, na qual impera a relatividade dos valores, a lei de Gerson, levar vantagem em tudo, o jeitinho brasileiro.
A realidade atual nos mostra a perda do referencial ético, inspirada no exemplo das mais altas autoridades da República. O vácuo de poder é decorrente da omissão do poder público e permitiu o crescimento do poder paralelo, alimentado pelo crime organizado, quase sempre com a participação dos primeiros.
Aí está o exemplo do Rio de Janeiro, um quadro de guerra civil. Caos total, descrédito do Estado e das Instituições, qual a solução, a ULTIMA RATIO REGIS ? As Forças Armadas, que iniciaram com apoio logístico mas, com o acirramento do conflito, as forças especiais estão na ruas. E como manter a tropa em condições físicas e psicológicas de operação? é necessário treinamento permanente e intensa atividade física, levando o soldado ao limite da resistência física e psicológica.
Portanto, dizer que os militares passam o dia jogando bola nos quartéis é uma afirmação leviana, torpe e maliciosa.
É preciso conhecer para melhor comentar e, para ilustrar um pouco a realidade imaterial a que me refiro, segue em anexo, abaixo, a mensagem "Alma de Soldado".
Cordialmente,
Engº Sergio S. Paula Couto
CREA/RS 013437