Há coisas que só acontecem no Hamburguestão.
É o lugar mais democrático e politicamente correto do mundo.
Mas acaba de eleger um presidente machista, racista, xenófobo e homofóbico.
A democracia no Hamburguestão é sagrada.
Porém, sempre há um porém, foi eleito o menos votado.
Acontece que no Hamburguestão não vale o princípio de cada cabeça um voto.
Os votos de certos Estados valem mais.
A eleição é indireta.
Ninguém entende o sistema. Em geral, ele beneficia conservadores.
Ao contrário do Bananão, onde os perdedores imediatamente contestam o resultado eleitoral, acusando as urnas de não serem confiáveis e promovendo golpes, que chamam de impeachment, no Hamburguestão o perdedor aceita o resultado e até deseja boa sorte ao ganhador. No Bananão os derrotados votam contra seus antigos princípios e projetos no Congresso Nacional para minar o governo vencedor e decretar sua queda. No Hamburguestão os interesses financeiros predominam e ninguém se dá tiro no pé. Espera-se a próxima eleição.
O Hamburguestão é um país guerreiro. Ataca países para libertá-los de si mesmos. Depois de destruí-los, ganha dinheiro para reconstruí-los. A indústria das armas ganha na primeira fase. A construção civil, na segunda. Generosamente, por mera política de ajuda aos pobres, o Hamburguestão aceita controlar o petróleo alheio.
Qualquer semelhança entre o Hamburguestão e os Estados Unidos é mera coincidência.