Porto Alegre, 18 de setembro de 2013.
Durante os meses que se passaram muitas lutas foram travadas, muitas assembleias, debates e um grande esforço em manter a unidade entre os setores que combatem as formas de opressão na sociedade. Essa unidade crítica foi construída na ação e na diversidade, baseada em princípios e em práticas coletivas no modo de agir e decidir, recebendo e fazendo críticas duras ao processo de luta que construímos, porém sem perder a ternura e o compromisso de resgatar as lutas populares combativas em Porto Alegre e no Brasil. Nos últimos meses travamos lutas cotidianas pelo Passe Livre e por um transporte 100% público, enfrentamos a BM, suas bombas de gás e suas balas de borracha. Enfrentamos a burocracia institucional. São centenas de violações de direitos praticados durante esse ano aos manifestantes durante as mobilizações. A postura da BM seguiu a mesma lógica, combater o inimigo: O POVO! Além das perseguições politicas aos movimentos e indivíduos que compõem o Bloco de Lutas, incluído arrombamento da sede da FAG e apreensão ilegal de livros ditos "subversivos", por conter conteúdo anarquista. Denunciamos as várias manobras realizadas pelo PT internamente no Bloco: Desviar o foco do embate ao governo Tarso Genro, tentar frear a greve dos professores e a aliança entre os trabalhadores, em inchar as instâncias do bloco para frear seu ímpeto combativo e contra institucionalização. A expulsão do PT do Bloco de Lutas foi mais do que necessária após os últimos fatos: Agressão direta a professores, ataque genocida às comunidades Quilombolas e Originárias (Indígenas), e suas escolhas pelo agronegócio e os setores patronais do RS. A gota d"água que justificou a tomada de atitude foi o uso sorrateiro de fotos e vídeos das manifestações do Bloco de Lutas no programa de televisão do PT, que se aproveitou das imagens de companheiros que têm clara e explícita oposição ao governo, manipulou as informações e utilizou a construção coletiva em nome de novas filiações para seu partido. Repudiamos o comportamento aparelhista que se trava na relação com as estruturas sindicais, transformando as ferramentas dos trabalhadores em correias de transmissão do governo/partido. A expulsão do PT da composição do Bloco de Lutas foi aprovada a partir de um amplo debate quando foi realizada a avaliação sobre a atuação do governo petista e de seus militantes dentro do bloco. A expulsão não foi a única proposta apresentada durante a assembleia, mas a partir da negativa dos militantes do PT de não fazerem autocrítica e publicarem retratações em relação às atitudes de seu partido, mas do contrário, ameaçando retirar o apoio dos sindicatos que compõem, que inclui advogados e carros de som. É inconcebível manter a unidade com quem comanda o governo do estado, quem se apropria das lutas dos trabalhadores e faz dos movimentos e sindicatos correia de transmissão do governo e do partido. A decisão tomada pela assembleia geral do Bloco vai ao alcance da unidade dos setores combativos, a escolha pelos de baixo, e a aliança dos oprimidos contra os opressores. Por isso afirmamos nossos princípios de independência de classe, de autonomia, horizontalidade e combatividade. Lutamos pelo Passe Livre para estudantes, desempregadxs, indígenas e quilombolas, e que os ricos paguem a conta. Por um transporte 100% público e pela desmilitarização da BM. Afirmamos nosso compromisso em seguir a luta nas ruas com ações diretas e construindo e fortalecendo as alianças entre os setores combativos e revolucionários. LUTAR CRIAR PODER POPULAR