Juremir Machado da Silva

Nova edição de Raízes do Mal

CapaRaizes_oEu traduzi grandes autores: Charles Baudelaire, Claude Simon, Alain Robbe-Grillet.

Traduzi grandes pensadores: Edgar Morin, Jean Baudrillard, Michel Maffesoli, Dominique Wolton, Gilles Lipovetsky, artigos de Pierre Levy e muitos outros."

Traduzi grandes romancistas contemporâneos: Michel Houellebecq, Yves Simon e Maurice Dantec.

Está na livrarias a nova edição de minha tradução de Raízes do Mal.

Foi um dos livres que amei traduzir. É uma história devastadora.

Eu me emocionei  traduzindo. Senti medo e revolta.

Sinto orgulho de ter introduzido Houellebecq e Dantec no Brasil.

*

Fragmento

"Não havia dúvidas de que O Mundo Como Ele Era Mostrado

na Televisão era uma ficção produzida pela indústria audiovisual

secreta do Império de Vega. Essa ficção tinha como único objetivo

mascarar a realidade atroz da ditadura “alienazista”. A vista de um

farol girando no alto de um carro na pista oposta da autoestrada

acendeu um sinal de alarme na sua mente.

Precisava sair da autoestrada.

Sim, deixar a autoestrada antes do pedágio.

As autoestradas estavam nas mãos da polícia nazista. Foram

eles que conceberam, nos anos 30, as primeiras autoestradas para

transporte de material militar.

Os pedágios estavam sob vigilância. O caso Tapie/Mellick,

durante o verão, havia mostrado que mesmo os mais altos personagens

do Império dos Aliens não podiam escapar das conspirações

tramadas constantemente pela Gestapo. Era possível controlar a

hora de passagem de cada um por meio dos sistemas de cartões

magnéticos. Os pedágios das autoestradas estavam certamente sob

o controle das patrulhas de androides da polícia ou sob vigilância

por satélite.

Andreas Schaltzmann pegou a primeira saída que encontrou.

Começou a rodar na periferia, ao sul de Paris.

Sem plano definido. Encheu o tanque num posto de Antony

pagando em dinheiro. Sua gabardine creme, seu paletó limpo e seu

pulôver preto em nada correspondiam à descrição dada pela imprensa.

Havia desistido do boné e, antes de tocar fogo na tocha feita

com jornais velhos, passara um par de óculos escuros nos raios

protetores dos tubos catódicos da sua televisão. Os óculos serviriam

também para detectar os aliens da noite.

Comprou jornais num quiosque e continuou a rodar.

Pelo meio-dia, estacionou no fim de uma rua deserta,


atrás de um conjunto residencial cinza e anônimo, numa cidade desconhecida, e folheou os jornais."