Juremir Machado da Silva

O bafômetro e o papo de bêbado de STJ

Em Pago Pago, casas foram totalmente devastadas
Em Pago Pago, casas foram totalmente devastadas Foto : AFP
Essa decisão do STJ que enfraquece a Lei Seca é conversa de bêbado.

Motorista brasileiro não quer soprar no bafômetro porque vive engarrafado.

Se o cara não sopra no bafômetro e se só isso pode constituir prova, então não se pode provar que o sujeito bebeu.

Não é conversa de bêbado?

– Prova que estou bêbado?

– Pelo teu bafo.

– Bafo no bafômetro ou bafo na nunca?

A justiça brasileira toma seu uisquinho e ri da galera.

Impossível provar que um bêbado está bêbado.

Não se pode produzir prova contra si mesmo.

Mas, se o cara não bebeu, por que ele não sopra?

Se não sopra é porque bebeu.

Logo, ao não soprar está produzindo prova contra si mesmo.

Em consequência, ao não soprar está desrespeitando a Constituição.

Deve ser punido.

Sugiro outro teste.

Fazer o quatro.

– Faz o quatro, motora.

– Não faço – responde soltando um bafo medonho.

– Por que não?

– Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.

– Mas você acabou de cair de bêbado.

– Eu? Está bêbado? Eu caí de maduro.

Nossa justiça está de pileque.

Os juizes fazem como o Mano.

Esquecem a carteira de motorista em casa.

Dirigem engarrafados.

Melhor aliviar todo mundo.

Afinal, somos sinceros até a última gota.

Toda essa confusão só porque sempre tem alguém para morrer na hora errada.

Justo na hora em que atrapalha um motorista bêbado.

Decisão de justiça não se discute.

Comemora-se.

Com um drinque.

Antes de pegar o carro e voltar para caso.

Ainda bem que o nosso Congresso Nacional é mais sóbrio.

Vai votar um projeto de álcool zero.

Exceto nos estádios de futebol na Copa do Mundo.

Tim-tim!

Aposto que muitos aceitariam fazer o teste do bafômetro na Câmara dos Deputados depois dessa empinada.