O boi e o clima
O tempo continua quente em Copenhague.
Ninguém se entende.
A presidente do encontro pediu demissão.
Quer refresco.
O problema é que ninguém se entende.
Os ricos querem continuar poluindo.
Os pobres também.
Só que os ricos podem pagar os pobres para que poluam menos. Ainda não houve acerto sobre o preço.
Os americanos querem continuar poluindo muito e pagando pouco para diminuir a poluição dos outros.
Eu tenho uma sugestão (se tivessem me incluindo na pequena delegação de 750 brasileiros que viajou para a Dinamarca tudo já estaria resolvido): os Estados Unidos podem continuar emitindo CO2 e metano desde que proíbam Hollywood de continuar poluindo o universo. Se os Estados Unidos impedirem Dan Brown, Britney Spears e Robbie Williams, cada um no seu curral, de destruírem a natureza com suas cacacas artísticas, os demais países deverão aumentar suas metas ecológicas de modo proporcional.
O Brasil, por exemplo, teria de se comprometer a diminuir drasticamente o nível de poluição emitido pelos seus bois, grandes soltadores de metano, e pelo Paulo Coelho, grande soltador de obras esotéricas.
Sei que é bastante difícil regular essas duas fontes de gases letais para a natureza e para os humanos.
O buraco na camada de ozônio aumentou muito depois que Paulo Coelho começou a fazer sucesso mundial.
Imagino, pelo que andei estudando, que seja mais fácil melhorar os gases bovinos. Afinal, é só uma questão de alimentação, de pasto adequado e de bons conselhos.
Os ruminantes, com certeza, podem ser melhorados.