Juremir Machado da Silva

O canalha do Rubem Braga

O canalha do Rubem Braga

Todos os dias temos surpresas.

Deixamos o Rio de Janeiro na calmaria pré-carnaval.

Chegamos ao sul da Bahia, Arraial da Ajuda, em meio ao susto geral: uma menina de 16 anos foi morta por uma bala perdida. Só se fala disso. O tiro foi disparado por um idiota, ao que parece, depois um de bate-boca de rua.

É a violência ao alcance de todos.

Sempre que eu venho ao Nordeste, o que acontece de três a quatro vezes por ano, fico surpreso com esse mundo tão brasileiro e ao mesmo tempo tão diferente de nós.

Triste belo Brasil.

Até os ídolos do passado surpreendem.

Eu sempre ouvira falar que o cronista Rubem Braga, pai da moderna crônica brasileira, havia morado no Rio Grande do Sul para se afastar um pouco do turbulento centro dos acontecimentos da ditadura varguista.

Pois não é que lendo “A Rotativa parou! Os últimos dias da Ultima Hora de Samuel Wainer”, de Benício Medeiros, fiquei sabendo que Braga se mandou para Porto Alegre, onde foi amparado pelo inesquecível Carlos Reverbel, fugindo de uma mulher: Bluma Wainer, esposa de Samuel. Acontece que Rubem e Bluma tiveram um caso. Ela engravidou, largou Samuel e prontificou-se de mala e bagagens a morar com o amante. Que deu no pé para longe.

Não fugiu do marido. Fugiu da amante.

A linda Bluma fez um aborto.

Samuel convidou-a para um elegante jantar no Copacabana Palace e confirmou a separação. Sem barraco.

Curiosamente quem guardou mágoa foi Rubem. Não entendia a razão de Samuel não lhe abrir as portas da UH.

Samuel e Rubem eram parecidos. Havia quem os confundisse. O “generoso” cronista, no entanto, disse algo assim para a sua amiga Rachel de Queiroz:

– E eu tenho cara de corno!

Gente fina!

Rubem adorava dar em cima de mulher de amigo. Tinha uma boa saída para a sua falta de vergonha na cara:

– E você quer o quê? Que eu dê em cima da mulher dos inimigos?

É, melhor não. Eles não seriam elegantes como Samuel. Rubem Braga era um safado. Comia e debochava.

Samuel Wainer foi um mito do jornalismo. Saiu do nada e chegou a ser dono de um grande jornal. Não dava sorte com cronistas. Antonio Maria, cronista da UH, levou-lhe a segunda mulher, mãe dos três filhos de Samuel, a musa do Country Clube e da UH, Danuza Leão.

É o que eu sempre digo: olho vivo com cronista.