O direito à idiotice
OS “HERÓIS” SEM CARÁTER DA GLOBO.
*José Ernani de Almeida. Mestre em História e professor.
As normas da Constituição de 1988 que tratam da radiodifusão traduzem a relevância social inquestionável das atividades de televisão aberta para a sociedade brasileira.As emissoras, sejam privadas, sejam públicas ou estatais, estão obrigadas a atender interesses da coletividade na prestação do serviço de televisão e, especialmente, a respeitar o direito da população de uma programação de qualidade cultural,artística, educativa e informativa. Um dos princípios enfatizados no art. 221 da Constituição é o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família. Houve época, em que moral e ética eram transmitidas às novas gerações pelas classes dominantes, pela aristocracia, pelos intelectuais, escritores e artistas. Era uma época em que os nobres eram nobres, exemplos a ser seguidos por todos. Hoje isso mudou. Nossas lideranças políticas, acadêmicas e empresariais não mais se preocupam em transmitir valores morais às futuras gerações. Os “heróis sem caráter” é que são enaltecidos. É exatamente o que ocorre no programa Big Brother Brasil, cuja última edição mostrou e premiou novos exemplos de mau-caratismo. Os meios de comunicação de massa, a televisão especialmente, influenciam o comportamento, particularmente da juventude, incentivando novos hábitos e atitudes. Os “heróis” de Pedro Bial, - cuja trajetória também merece uma longa reflexão, uma vez que renegou um passado de jornalista sério e de grande credibilidade, para se transformar em animador de circo - , são exemplos de manipulação, conspiração, intrigas, traições, enfim, de tudo o que de mais condenável possa existir entre pessoas civilizadas. A televisão, como o cinema, são veículos de consolidação de imagens distorcidas da realidade: os estereótipos, que passam a ser olhados como exemplos de comportamentos e de atitudes. Por aí, já podemos ter uma idéia dos estragos provocados pelos “heróis” da Globo e de Pedro Bial.O ganhador do último BBB, destacou-se pela estupidez, conservadorismo e homofobia. A psicanalista Maria Rita Kehl, no livro Viodeologias, afirma que “ os reality shows são a forma mais eficiente de ilusão que a cultura de massas já produziu: eles vendem aos espectadores o espelho fiel de sua vida amesquinhada sob a égide severa das “leis do mercado”. Na verdade, eles vendem a imagem da disputa selvagem em que a concorrência transforma as relações humanas. No caso do BBB, elevado ao estatuto de espetáculo.É importante lembrar que a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem como funções do fenômeno da industrialização. A cultura feita em série, industrialmente, para um vasto número de consumidores, passa a ser vista não como instrumento de crítica e de conhecimento, mas como produto trocável por dinheiro e que deve ser consumido como se consome qualquer coisa. Qualidade é o que menos conta. A amplitude da penetração junto a todas as camadas sociais e o poder de influência de sua mensagem - no caso da TV - que deveria priorizar informação, cultura e educação, diretamente ligados ao desenvolvimento pessoal dos cidadãos e à própria construção de uma sociedade democrática, não são considerados. O importante é o resultado econômico gerado.É o caso do BBB que deve trazer uma receita extraordinária à rede Globo. Hoje o reality show seria o produto mais rentável e lucrativo da empresa, superando até mesmo as receitas com as telenovelas.Assim, já podemos esperar uma série infindável de novos BBBs incentivando os piores instintos humanos e contribuindo para uma maior idiotização da nossa já pobre e inculta sociedade. Se países como Afeganistão, Iraque, Paquistão, Rússia sofrem com atentados terroristas nós padecemos com o Big Brother e os “heróis sem caráter” da Globo e Pedro Bial. Bertrand Russel, em 1930, escreveu “ a ênfase na competição da vida moderna está ligado ao declínio geral dos padrões civilizados, tal como deve ter ocorrido em Roma após a era do imperador Augusto. Homens e mulheres parecem ter se tornado incapazes de gozar os prazeres mais intelectualizados. A arte geral da conversação, por exemplo, que foi levada à perfeição nos salões franceses do século XVIII, era ainda uma tradição viva há quarenta anos. Era uma arte bela e delicada, capaz de mobilizar as mais elevadas faculdades em nome de algo inteiramente evanescente. Mas quem, em nosso tempo, se importa com algo tão supérfluo?”. Hoje, a arte da conversação, foi substituída pelo Reality Show onde a traição, o individualismo e a forma mesquinha de encarar a realidade transformaram-se em padrões de comportamento .
Enviado por cezar duarte cezarard@gmail.com.
Sr Juremir A respeito de sua cronica publicada na Correio do Povo intitulada Encéfalos esponjosos, só para q o sr. fique ciente, há um equívoco de sua parte, quando o sr, faz menção a mãe do bbb Dourado, dizendo em outras palavras, q a mãe não passou valores nem educação boa para ele. Ela, é uma escritora, com livro publicado, como o
s filhos(2) tem curso superior completo) falo porqueconheço toda a família, de artistas ligados a musica e intelectuais. Na minha opinião e acredito q na opinião de todo mundo q não seja muuuuuuito preconceituoso, um jovem q sendo egresso da escola pública, consegue passar no vestibular da Urgs, vamos combinar, não tem o QI tão baixo assim, né? Inclusive essa mãe conseguiu dar aos filhos uma educação como antigamente, incluindo até estudar piano. Além de tudo, coisas como lealdade, companheirismo e bom caratismo, não se aprendem apenas na escola e sim com a família. Então, nos poupe, viu? Mesmo q o sr esteja simplesmente sentin do o humano sentimento da inveja, do milhão e meio do cara! ass Malu Jaspe, leitora ocasional do Correio.
Malu Jaspe
Caro Juremir,
Já conhecia o seu talento em outras colunas lidas do Correio do Povo. Minha família assina e eu acabo me esquecendo de ler a sua coluna, mas acho que depois dessa não me esquecerei mais.
A sua descrição sobre o Big Brother foi nada mais nada menos do que perfeita, em todos os sentidos, expressando como eu queria experessar com toda a ira, raiva, desprezo, desânimo e tantos outros sentimentos ruins que aquele programa me desperta.
Até mesmo os meus pais, que de vez em quando assistem acharam magnífica a sua coluna, e a minha mãe inclusive que é a mais "traidora" gostando de assistir recortou a coluna para me mostrar.
Aliás, meus parabéns por ter aguentado bravamente a missão praticamente de guerra, de assistir aos dois espódios seguidos, até mesmo para poder escrever com critério, pois eu não aguentei assistir nem um inteiro.
Alguns dias atrás eu tinha escrito no meu orkut que a cultura de um país se mede pelos assuntos discutidos. O do Brasil é o Big Brother, então realmente dá vontade de sair do país nem que seja para "recuperar encadernações das obras de Lenin".
Peço permissão para escanear e colocar no meu orkut na íntegra a sua coluna que expressa de uma forma perfeita o que se trata aquele teatro de bonecos vivos que o povo acredita ser real.
Enfim, meus parabéns pelo seu talento literário, fiquei extremamente feliz em saber que existe alguém no mundo que consegue expressar tão perfeitamente sobre algo que penso da mesma forma.
Um grande abraço
Luiz Alberto Vedana
Geólogo