Juremir Machado da Silva

O drama do criador em Hugo Cabret

A invenção de Hugo Cabret é um ótimo filme.

Um filme quadradinho ou redondinho como são os filmes de Hollywood.

Tem vantagens e desvantagens nisso.

Salva da chatice de algo como um filme iraniano.

Ou da mediocridade de um filme brasileiro.

Mas exagera na produção de sentido.

Tudo se encaixa.

O essencial do filme é o drama do criador.

Méliès, pioneiro do cinema, largou tudo, quando se sentiu desprezado, e foi cuidar da vida.

Eis o drama da maioria dos artistas.

Vimos na Casa de Cultura Mário Quintana.

Isso torna qualquer filme melhor, pois livra do cheiro de pipoca e manteiga dos horrendos shopping centers.

Cinema em shopping é a suprema degradação da cultura, a perda definitiva da aura, a pipocalização da arte.

Scorsese, como se fosse um autor global, explorou bem os clichês.

Quem já não viu mil vezes em filmes os olhos arregalados de crianças indo ao cinema pela primeira vez?

Somos crianças. Queremos sempre a mesma história.

No caso, uma declaração de amor ao cinema.