Juremir Machado da Silva

O encalhe da Fernanda Young

O encalhe da Fernanda Young



Deu no que deu. A Playboy com Fernanda Young na capa encalhou. O Brasil é um país bizarro. Os marqueteiros acham que podem nos enfiar goela abaixo qualquer porcaria. Somos trouxas, mas não burros. De mulher e de futebol, ao menos, todos entendemos. Ou temos essa pretensão. Podemos votar errado, cair em golpes arcaicos, apodrecer em fila de hospital e acreditar em mega-sena. Podemos acreditar até em ajuda do Grêmio para o Inter ser campeão. Tudo é possível. Menos tentar nos convencer de que carne de segunda é picanha. Num caso desses, não dá para ter sutilezas. Fernanda Young é carne de pescoço mesmo.
Não decola.
A Playboy não levantou. Nem com Viagra. O que mais se podia esperar? O brasileiro é pragmático: não compra revista para ver mulher feia nua. Quer ver as curvas da Flávia Alessandra ou da Juliana Paes. O título do ensaio da Playboy com Fernanda Young poderia ter sido Irritando Leitores. Quer dizer, irritando a turma que compra revista de mulher pelada para olhar no banheiro. A Playboy é uma empulhação que tenta se passar por revista de leitura. Um número com a Hebe Camargo ou com a plastificada e insuportável Ana Maria Brega pelada venderia mais do que essa edição com a mais chata das mulheres da mídia brasileira. Até uma edição com o Louro José pelado teria mais sucesso e seria mais excitante. Playboy pagou mico.
Só há uma explicação para essa piada de mau gosto da Playboy: era sacanagem. Afinal, o negócio da Playboy é sacanagem, não? Ou, quem sabe, era humor negro? Não colou. Todo mundo riu amarelo. Tenho um amigo que pagou para ver. Agora, murchinho da silva, quer reclamar no Procon. Reclamar de quê, cara pálida? Propaganda enganosa não houve. Todo mundo sabia o que ia encontrar. Nada. Não tem fotoshop capaz de tornar a Fernanda Young gostosa. A tecnologia tem seus limites. Seria mais fácil pegar uma mala e fazer dela uma top-model. Em geral, as modelos são malas sem alças, mas até hoje nenhuma mala, no sentido literal do termo, tinha posado nua para a Playboy. Fernanda Young foi a primeira. Já realizou uma façanha.
A edição da Playboy com Fernanda Young será estudada no mundo inteiro como documento histórico. Editores, pesquisadores e marqueteiros discutirão em seminários internacionais a ousadia dos brasileiros. Falarão da importância de correr riscos. Todos, no entanto, dirão que o bom risco é um risco calculado. Fernanda Young pelada não é risco. É espantalho. Já pensaram entrar numa borracharia e encontrar uma foto da Fernandinha esquálida Young pelada? Impossível. Borracharia é lugar de bom gosto. Outro amigo meu, um cara meio antiquando e com alguns preconceitos, veio com um argumento estapafúrdio:
- Essa ideia de botar essa Fernanda Young pelada na Playboy só pode ter sido coisa de bambi.
Refutei na bucha:
- Bambi gosta de mulher bonita.
É isso aí. A Playboy pagou o mico do ano.