Juremir Machado da Silva

O exército brasileiro e o Haiti

O exército brasileiro e o Haiti



Está dando o que pensar.
A participação do exército brasileiro no Haiti produziu uma novidade: muita gente está sentido orgulho das nossas forças armadas. Justamente num momento em que o importante não é o uso das armas, mas da solidariedade.
Uma parte da população brasileira ainda guarda na memória o triste papel das nossas forças armadas na ditadura brasileira implantada em 1964.
Talvez por isso essa parte da população se apegue tanto ao papel das forças armadas definido na Constituição e não queira ver nossos soldados nas ruas com atribuições de polícia. Salvo em casos de emergência.
Enquanto isso, enquanto os soldados se entediam nas casernas ou fazem aulas de educação artística, existem enclaves dentro do território brasileiro em que nenhum cidadão pode pisar sem a autorização dos donos do pedaço. Estados dentro do Estado. Estados fora da lei.
Alguns militares se defendem alegando que não estão treinados para fazer função de polícia.
Não seria difícil treiná-los.
Fazem isso no Haiti.
Outros alegam que a Constituição deve ser respeitada e ponto final. Nada de botar soldados nas ruas.
Gente de esquerda garante que forças armadas nas ruas é coisas de ditadura ou de república bananeira e que a violência não será resolvida com mais repressão.
Querer exército nas ruas é coisa da direita?
Não poderia o exército ser multifuncional?
Não poderiam os soldados ser treinados para isto e aquilo?
Faz o sentido o país viver mergulhado na violência enquanto as forças armadas são treinadas para guerras que não existem (tomara que nunca existam)?
Faz sentido o pau comer solto nas ruas enquanto nossos soldados repousam nos quartéis?
Conheço três caras que pretendem largar as forças armadas. Estão cansados de faz-de-conta.
Querem trabalhar.
Nossas forças armadas trabalham.
Mas poderiam fazer mais.
Não devem ser colocadas nas ruas para matar pobres em favelas, mas para combater o tráfico, o crime organizado, ajudar as polícias a enfrentar bandidos cada vez mais bem armados e treinados para matar sem piedade.
Ou não?
Manifestem-se.