Juremir Machado da Silva

O fim da escrita está cada vez mais próximo

Enquanto os nostálgicos agarram-se a argumentos subjetivos cada vez mais infantis para defender o futuro do livro impresso, os cientistas trabalham na superação da escrita. Em breve, não haverá sequer teclado. O passado é o dia de hoje.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tese 208



As mutações, porém, poderão ser rapidamente maiores, impressionantes e aparentemente inconcebíveis. O impossível de ontem tem sido o possível de hoje. Miguel Nicolelis, um dos mais importantes cientistas brasileiros, especialista em neurociência, previu, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em 22 de janeiro de 2012: “A internet como conhecemos vai desaparecer. Teremos uma verdadeira rede cerebral. A comunicação não será mediada pela linguagem, que deixará de ser o principal canal de comunicação. Para entender isso, basta pensar que toda linguagem é um comportamento motor - como mexer o braço. Esse comportamento motor também poderá ser decodificado e transmitido. Grandes empresas - como Google, Intel, Microsoft - já tem suas divisões de interface cérebro-máquina”. Mais um passo para o fim da escrita. Sinais inequívocos de uma transformação radical. Estamos a caminho da telepatia mediada por computadores. Quando isso se consolidar, o que deverá acontecer na velocidade das mutações atuais, não haverá mais razão, nem mesmo como canto do cisne, para se discutir direito autoral em relação ao trabalho escrito ou propriedade intelectual literária.