Juremir Machado da Silva

O futebol é uma caixinha sem surpresas

Astro americano acaba de completar 60 anos
Astro americano acaba de completar 60 anos Foto : Divulgação
O futebol é um mistério.

Mas, paradoxalmente, um mistério sem surpresas.

A frase mais curiosa sobre futebol é: você não entende nada de futebol.

Qualquer um entende de futebol.

Basta olhar dois jogos seguidos.

Essa é a magia do futebol.

Está ao alcance de todos.

Mesmo os que acham entender muito, como Falcão, podem fracassar.

O maior enigma é o treinador.

No circuito brasileiro, são uns 25.

Fazem rodízio nos grandes clubes, mesmo sem ganhar grande coisa.

Depois que um treinador entra no circuito, vai passar pelos 25 maiores clubes.

Salvo alguma exceção.

Se ganhar algum título, mesmo regional, vai aumentar a sua circulação, tendo como certa uma segunda passagem pelo clube onde ganhou sua estrelinha.

Dessa forma, um treinador tem pelo menos 20 anos no circuito, mesmo sem ganhar grandes competições.

É o melhor emprego do mundo.

Demitido, vai para o próximo clube com aumento de salário.

O fracassado de um é a salvação de outro.

Hiltor Mombach, o melhor colunista esportivo do RS, já sugeriu que é um cartel.

Se for por produtividade, nos últimos dez anos, só Muricy merece continuar trabalhando.

Todos os demais ganham muito para pouco resultado.

Em termos de estratégia, todos são iguais: só precisam escolher entre o 4-4-2 e o 3-5-2 ou, no máximo, o 4-5-1.

São todos bons enganadores.

É que a tarefa é outra: ser o sargento que controla o grupo e impõe a disciplina.

O resto acontece dentro do campo por obra da capacidade de improvisão dos jogadores.

Outro mistério do futebol é a administração.

Os clubes aceitam que seus principais jogadores sejam convocados para amistosos da Seleção Brasileira em meio a competições oficiais ou mesmo em jogos finais. E até para seleções sub-sub-sub. Tudo é mais importante do que o próprio clube.

O Inter perdeu Nilmar para um amistoso, em que foi reserva, na última final que disputou da Copa do Brasil.

Esteve sem Oscar e Juan nesta primeira partida das finais da Recopa.

Em nenhuma atividade se aceitaria contratar um multifracassado como solução.

Em nenhuma atividade se aceitaria ceder o homem decisivo, num momento decisivo, para uma atividade sem qualquer importância decisiva.

Na Europa, quando as seleções jogam, os clubes param.

Por que não ocorre o mesmo no Brasil?

Porque aqui o futebol é comandado por Ricardo Teixeira e seus parceiros.

O futebol é uma caixinha sem surpresa.

O dinheiro manda.

Mas o dinheiro obtido com pressa.

Um jogador é vendido no meio do campeonato, apesar de estar crescendo.

Em qualquer outra atividade, seria mantido e só vendido depois de conquistar o título, mais valorizado ainda.

É o que o Santos está tentando fazer com Neymar.

É o que Grêmio e Inter nunca fazem.

Outro mistério do futebol é a preparação para a final do mundial de clubes.

Os clubes brasileiros preparam-se perdendo para todo mundo no Brasileirão.

O Inter fez assim em 2010.

Agora é a vez do Santos.

É um método surrealista.

No caso do Inter, terminou no mezembaço.

O que acontecerá com o Santos?

O futebol é um enigma resolvido.

Todo mundo entende.

Ninguém resolve.