O mal sempre dito
Comportamento era o nome que se dava à moral imperativa de antigamente. Hoje, não passa de uma página de revista dominical de atualidades.
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A política tornou-se a arte de preencher o vácuo das utopias com o vazio das propostas imediatas.
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Gastronomia: maturidade é nome dado, pelos “homens de bem” e de bom gosto, à última etapa da covardia e da indigestão, popularmente conhecida como capacidade de engolir sapos.
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Universal: o relativismo absoluto é absolutamente anti-relativista.
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Na eterna querela entre “antigos” e “modernos”, os modernos são os novos antigos.
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Padrão globalizado: a inteligência média não dá o brilho das celebridades “mídíocres” nem a paz dos imbecis anônimos.
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Cultura “midiótica”: na sociedade de massa, os gênios são designados pelos imbecis. Os homens medianos, de fortes convicções e fracas idéias, produtos da ignorância, conseguem impor as suas visões de mundo, sustentadas pela força da maioria, aos pensadores, relativistas por força do conhecimento.
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Baudrillardiana I: o homem espera que a inteligência artificial o salve da sua estupidez natural. Pura ilusão: o natural é apenas um artifício.
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Baudrillardiana II: os meios de comunicação não alienam as massas; são alienados por elas. A mensagem é o melhor meio de liquidar o conteúdo.
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Literinterpretativa: a teoria literária faz crer que o leitor sabe algo sobre uma obra; o crítico, tudo; o autor, nada; o editor, talvez.
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Crime perfeito: a teoria matou o autor; o leitor não ficou sabendo.
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Crime mais que perfeito: o autor está vivo e aparece em todo lugar; a obra é que morreu.
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Machista e avara: a diferença entre um homem e uma mulher é cada vez mais simples: a mulher quer olhar mesmo quando não pode comprar; o homem não quer ver mesmo quando pode adquirir.
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Os jovens acreditam esterilmente na verdade; os velhos, produtivamente na falsidade; os homens maduros, bovinamente nas virtudes da procriação.
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O conhecimento é um argumento para ignorar a verdade em função do discurso de autoridade do saber.
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Dúvida é o nome pós-moderno da certeza.
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Verdade é o nome moderno da ignorância provisória elevada, pelos sábios e cientistas, à condição de certeza.
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A política é a continuação da barbárie através da publicidade.