O neoliberalismo ficou velho e o papel do Estado se renovou
No final do século XX, há pouco mais de dez anos, era moda falar do fim da Estado.
O máximo era o Estado mínimo.
No Brasil, O PSDB quis encarnar essa ideia pelo caminho da racionalidade moderna.
O DEM e o PP trataram de cavalgá-la pelo atalho da velho egoísmo. Mama no Estado um dia e o ataca no outro.
Tudo parecia resolvido.
Na mídia, qualquer referência ao papel do Estado era bombardeada como anacronismo.
Os neoliberais jogavam no ataque, tinham o monopólio do insulto, patrocinavam a imprensa, cobravam a conta, davam as cartas, jogavam de mão e zombavam, com gel no cabelo e um charuto cubano no canto da boca, das utopias vencidas.
A última década do século XX foi tricolor.
A primeira do século XXI foi vermelha.
Lula ganhou as eleições, sentou-se no trono e ficou.
O Inter ganhou duas Libertadores e um Mundial.
Em 2008, o sonho neoliberal americano deu com os burros na água.
O Estado teve de entrar em campo para salvar bancos, fábricas de automóveis e empresas aéreas.
O mínimo que o Estado podia fazer era o máximo.
No Brasil, passada a vaga de corrupção, com o mensalão, inventado no governo tucano de Minas Gerais, o tsunami americano chegou como uma "marolinha", frustrando os que esperavam do pior o melhor, o fim da era Lula.
FHC havia deixado um rastro de esquemas sem investigacões, como a compra da emenda da reeleição, que lhe valeu um segundo mandato, revelada pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, quando divulgou fitas em que deputados acreanos diziam ter recebido R$ 200 mil para apoiar a novidade, numa jogada agenciada por Sérgio Motta, ministro tucano das Comunicações e pau para toda obra nos bastidores do tucanato.
Cada um com seus podres. Lula teve o mensalão. FHC teve a "cota federal" da reeleição.
Ninguém superou o DEM de Brasília em mensalices.
O Estado mínimo foi para o saco (do marketing superado).
Apesar das campanhas da mídia, especialmente da Veja e do Estadão, Lula melhorou o Brasil em quase todos os fundamentos (inflação, investimentos sociais, educação, crescimento do PIB, distribuição de renda, poder aquisitivo do salário mínimo, peso nas relações internacionais, crescimente de vagas no ensino superior e de universidades públicas) e elegeu Dilma, contrariando a ala pré-histórica do reacionarismo, liderada pelo vice de José Serra, Indio da Costa, que a acusou de ter sido guerrilheira e de querer matar criancinhas com a liberação do aborto.
Quase metade do Rio Grande do Sul tentou pegar essa onda ultrapassada.
O restante da população pulou fora e elegeu Tarso Genro no primeiro turno.
Agora é só esperar que Tarso comece pagando o piso salarial federal para o magistério.
E que Dilma libere os arquivos da ditadura.
Lula saiu por cima, dando uma banana para o fascismo italiano, e bancando a permanência de Battisti no Brasil.
Quem conhece a sua história, quem conhece os seus defensores, como a escritora Fred Vargas e o filósofo Bernard-Henri Lévy, que está longe de ser um esquerdista, sabe que o julgamento de Battisti foi uma armação.
Fim de papo.
Feliz 2011.
O Estado, no ponto certo, precisa continuar.
O caminho do meio é uma boa.
É por isso que eu moro no Bom Fim!