Um idiota disse que a história havia acabado.
Foi ouvido por toda parte.
O fim da história seria o capitalismo pacificado e triunfante.
A democracia liberal.
O profeta só esqueceu de avisar os terroristas, os golpistas, os fanáticos e mais um mundo de dissidentes.
Pequenos países da América Latina continuaram na rotina dos golpes.
Paraguai e Honduras tiveram os seus.
Golpes de um novo tipo: parlamentares, "legais", à sombra da Constituição, simulacros de impeachment.
O gigante da América Latina não resistiu à tentação. O Brasil vive um golpe. O hipergolpe.
Um simulacro de destituição constitucional com apoio da mídia, do parlamento e do STF.
Eis que, em meio à nova onda de golpes hiper-reais e hipermodernos, ressurge o golpe tradicional.
Os militares turcos tentaram um golpe à moda antiga: um golpe de força, com centenas de mortos.
A história é uma velha louca que anda em círculos em busca do caminho mais reto para o infinito.
Quanto mais avança, mais pode recuar.
A sua doença é o poder.
Enquanto houver homens, haverá golpes.