Juremir Machado da Silva

O novo ciclo de golpes de Estado

Um idiota disse que a história havia acabado.

Foi ouvido por toda parte.

O fim da história seria o capitalismo pacificado e triunfante.

A democracia liberal.

O profeta só esqueceu de avisar os terroristas, os golpistas, os fanáticos e mais um mundo de dissidentes.

Pequenos países da América Latina continuaram na rotina dos golpes.

Paraguai e Honduras tiveram os seus.

Golpes de um novo tipo: parlamentares, "legais", à sombra da Constituição, simulacros de impeachment.

O gigante da América Latina não resistiu à tentação. O Brasil vive um golpe. O hipergolpe.

Um simulacro de destituição constitucional com apoio da mídia, do parlamento e do STF.

Eis que, em meio à nova onda de golpes hiper-reais e hipermodernos, ressurge o golpe tradicional.

Os militares turcos tentaram um golpe à moda antiga: um golpe de força, com centenas de mortos.

A história é uma velha louca que anda em círculos em busca do caminho mais reto para o infinito.

Quanto mais avança, mais pode recuar.

A sua doença é o poder.

Enquanto houver homens, haverá golpes.