Juremir Machado da Silva

O outro lado do rio

O outro lado do rio

Juremir, bom dia.
A Historiografia Nacional e particularmente a Riograndense, notabilizaram-se, no pós-30, pelo uso dos Mitos Fundadores na justificação
e criação de uma pseudo-coesão Histórica Nacional. Muitos intelectuais e Historiadores entendem isso como um verdadeiro Projeto de
NACIONALIZAÇÃO e UNIFICAÇÃO da Historiografia. Concordo com essa Tese. No Rio Grande do Sul (vide IHGRGS), temos como bem sabes as
grandes Matrizes, Lusitana e Espanhola, marcadas por nomes como Varella, Vellinho e Ornellas. Ieda Guttfreind premiou a nossa
Historiografia com um trabalho de fôlego, em que essas dicotomias ficam claras e expostas. A Revolução Farroupilha não fugiria, com
certeza, a essas Matrizes. Nós que exercemos a atividade de Historiadores, diletantes ou profissionais, vivemos no RS uma verdadeira
luta de viés amoral. Por quê? Porquê simplesmente, ainda carregamos um ranço autoritário, que se acirra de forma atroz quando o
assunto chega perto dos CTGs e da tão propalada Formação do Homem GAÚCHO!!!
Pontos nebulosos e sabidos, mas negados, foram finalmente expostos em seu trabalho. Sabe-se de trabalhos em que os fatos "foram
riscados" em documentos disponíveis, para publicar-se a versão Mitificadora. Não se pode negar isso. Aqueles que frequentam as
Bibliotecas e Arquivos do RS sabem disso. A pseudo-democracia pampeana e "Gaúcha" deve a partir de agora passar por profunda reflexão.
Não se pode negar de forma tão grosseira fatos já de antes comprovados, mas abafados pela conformação da criação dos MITOS.
Sou formando em História e tenho atuação dentro da Religião de Matriz Africana no Rio Grande do Sul, e episódios como Porongos, ferem
a Historiografia NEGADA ao Africano no Rio Grande do Sul e no Brasil. A busca de uma justificativa e de uma fórmula estanque para
"incluir" o negro como elemento ativo e participante da "REVOLUÇÃO" é ofensivo sobre todos os pontos possíveis, mas antes de tudo é
moralmente absurdo. Vivemos uma dicotomia de Formação, que há muito urge mudanças. Vivo e amo viver no Rio Grande do Sul, amo viver em
Alvorada, minha cidade por adoção e opção. Mas não podemos nos furtar, que, vivemos numa clausura intelectual, que mascara inúmeros
retrocessos, sem dúvida prejudiciais. Temos a pachorra de nos considerar superiores ao Nordestinos, mas não temos escolas no Ranking
do MEC que comprovem essa Pseudo-Superioridade, apenas para citar um exemplo!!
Foi com prazer e satisfação que folhei as primeiras páginas do Livro HISTÓRIA REGIONAL DA INFÂMIA e embora certo da virulenta polêmica
que advirá, entendo como necessária para quebrar paradigmas e alinhar novos horizontes.
Att.
JOÃO FRANCISCO BENITES
Babalorixá responsável pelo IlÊ AXÉ OCUTÁ ORUN
ALVORADA/RS - 3442-2747
Formando em História pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras.