Sim, o Barcelona é o melhor time do mundo, o melhor clube do planeta.
Sim, o resultado diz mais do que qualquer tese.
Mas o jogo entre Barcelona e Santos não traduz fielmente a realidade, se realidade é algo que se traduz.
O Barcelona teve mais posse de bola do que habitualmente. Por quê?
Porque o Santos teve medo de jogar.
Muricy teve uma recaída e resolveu jogar com três zagueiros. Armou uma retranca.
Mas se confundiu na estratégia e mandou o time esperar o Barcelona tocar a bola.
Foi a recomendação mais burra da história do futebol.
É o que o Barcelona gosta e sabe fazer.
Muricy inventou a retranca que marca de longe.
Tomou um chocolate.
O complexo de vira-lata, de que falava Nelson Rodrigues, voltou.
Os jogadores brasileiros ficaram congelados de medo.
Não se atreveram a jogar.
Acreditaram no marketing do Barcelona, no discurso da mídia e nos clichês sobre a máquina de jogar futebol.
Poderiam ter vencido? Dificilmente. Mas poderiam ter encarado.
Faltou irresponsabilidade, estilo brasileiro, ousadia, loucura, dribles.
Foi um dos jogos mais fáceis da história do Barcelona.
A partida anterior, contra um adversário sem expressão, foi mais difícil.
No cotidiano, tentamos acreditar, blefamos, apostamos, queremos ver o velho futebol brasileiro, feito de improvisação, ganhar da potência econômica na base da criatividade.
Sem atrevimento, não dá.
Foi vexatório.
Grêmio e Inter teriam provavelmente perdido.
Mas teriam certamente tentado jogar.
Teriam marcado mais, bem mais de perto, e teriam atacado mais.
Faltou, ao mesmo tempo, garra, pegada, atitude, travessura, altivez e coragem.
Chato é que isso serve para o discurso fácil de que não somos nada e que não temos chance.
O grande problema do futebol brasileiro atual é a falta de bons técnicos.
Homens capazes de ousar e de fazer um time ousar.
Falcão tentou. Mas só ficou na teoria.
Precisar voltar a latir.