Juremir Machado da Silva

O tsunami Pedro Barusco

Barusco pode ser nome de ciclone, furacão e tsunami.

Um ciclone antitropical.

Derrubou o Brasil.

O depoimento de Pedro Barusco não deixou pedra sobre pedra. o resumo do vendaval é simples: de 1997 para cá a roubalheira na Petrobras foi ao fundo do poço. Sugou-se tudo o que pode como base partidária.

Paulo Roberto Costa lançou as primeiras pedras: não existe doação de campanha, mas só empréstimos de empresas com juros altos. Quem empresta, cobra e quer retorno com lucros exorbitantes. Quem é colocado em cargos de direção de empresas estatais, segundo ele, deve desviar recursos para os partidos benfeitores ou perde o posto. É a lei do presidencialismo de coalizão: apoio tem preço e exige recursos públicos.

Conforme Barusco, tudo começou na época de Fernando Henrique Cardoso.

A oposição quer transformar o geral em particular e punir apenas o PT, de quebra derrubando Dilma com um panelaço que começará em Miami e se espalhará pelos Jardins paulistanos e pela Barra da Tijuca, no Rio. A ideia, como bem flagrou o ex-tucano Bresser Pereira, é particularizar a corrupção para extravasar o ódio de classe aos programas sociais do petismo. A corrupção é apenas um pretexto. O colunista Juca Kfouri também percebeu que as "elites brancas", que cometem todo tipo de pequenos ou grandes atos de corrupção, como sonegar impostos ou cometer infrações de trânsito e culpar o guarda pela multa, estão tentando um golpe de Estado via impeachment em nome da repulsa que sentem pelo melhor do PT: a opção pelos pobres.

O PT, porém,  que está longe de se resumir a essa opção nobre pelos desfavorecidos, quer enfatizar o caráter geral da roubalheira para que todos sejam absolvidos e ele possa continuar no poder sem remorsos nem penas.

O cidadão honesto quer que todos, de qualquer partido, sejam punidos.

O PDSB flerta com o golpismo. Estimula a tentativa de impeachment, mas, quando questionado, não a assume oficialmente. Dá o tapa e esconde a mão. A mídia lacerdinha já aderiu ao golpismo como fez em 1964.

Se acreditamos que os delatores falam a verdade quando entregam os roubos do PT, devemos acreditar que também falam a verdade quando entregam os roubos do PP, do PMDB e do PSDB. Por que falariam a verdade num caso e mentiriam nos outros? Depois de passar anos denunciando a obsessão petista por teorias da conspiração e vitimização, tucanos, pepistas e peemedebistas passaram, repentinamente, a fazer o mesmo.

Os delatores que ontem só falavam a verdade, passaram a ser mentirosos compulsivos.

Eu, como franco-atirador, tendo a acreditar em tudo o que eles dizem.

Nesse tsunami não tem marolinha nem gente fazendo onda.

É tudo vagalhão.