Ode a meu fake
Você já teve um fake?
Eu sim.
Ainda não sei quem foi o meu fake.
Digo foi porque ele desistiu.
Depois de vários meses com ele me levando nas costas, eu comecei o meu twitter.
Meu fake virou concorrente.
Mas um concorrente leal. Mandou os seus seguidores, quer dizer, os meus, pois ele era era eu, me seguirem.
Nem todos obedeceram.
Fiquei agressivo. Disse que ia matar o meu fake.
Cheguei a declarar que o tinha matado.
Não havia visto uma mensagem direta em que o meu fake me revela a sua senha. Em outras palavras, o meu fake agora é meu. Tenho acesso a ele. Posso até matar o meu original. Quer dizer, o twitter que criei para dispensar o meu fake.
Meu fake era "juremir", Meu original é "juremirm". Com qual fico agora?
Confesso que estou sentido algo estranho, uma espécie de saudade do meu fake. Vivemos tanto tempo juntos. Quer dizer, separados, lado a lado, em paralelo, mas numa boa.
Não sei se sobreviverei sem me fake.
A vida sem um fake fica meio estranha. Afinal, um fake é uma demonstração de carinho.
Meu fake dedicava parte do seu tempo a mim. Copiava minhas colunas e as postava num twitter, divididas em 20 pedaços, como se fosse eu. Gratuitamente. Aprendi a gostar desse fake invisivel que me introduziu no mundo do twitter. Acho que tinha vergonha de me ver sem twitter. Depois dele, tomei decisões radicais: criei meu facebook, meu orkut. Descobri Lady Gaga. Hoje, verei Avatar. Vou comprar um kindle.
Preciso conhecer meu fake. Quero apertar-lhe a mão. Agradecer pelos serviços prestados.
Pedir desculpas por tê-lo virtualmente assassinado.
Ter um fake é uma questão de distinção.
Muita gente sonha em ter um fake.
Eu tive um.
Fico imaginando meu fake: não tenho a menor ideia de quem seja.
Meu fake me mandou a senha. Nunca imaginei que era tão simples, tão genial, tão pós-moderno.
Por favor, meu fake, apareça.
Será que um dia voltarei a ter um fake?