Juremir Machado da Silva

Os grandes dramas do mundo

Os grandes dramas do mundo

É sério.
Tem jeito que só gosta de assunto sério. Mostra os dentes diante de qualquer frivolidade ou brincadeira.
O que pode ser mais sério, por exemplo, do que beijo gay? É um dos assuntos do momento. Sério. Especialistas garantem que só quem experimentou sabe o que isso significa. No futuro, um em cada três homens saberá.
No mínimo.
As grandes revoluções são comportamentais. A maior delas é possibilidade de a filha levar o namorado para dormir em casa. Tem pai que consegue impor limites:
Proíbe os marmanjos das filhas de tomarem todas as suas cervejas da geladeira. Ainda mais as importadas.
Faz sentido. Respeito é bom e todo mundo gosta.
Outro assunto muito sério é o tamanho do pênis.
E o nome do membro masculino.
Tem homem que morre por isso.
Tem mulher que leva isso muito a sério e até troca de parceiro. Tem homem que, de vergonha, se manda antes.
Uma das perguntas mais angustiantes é:
– Tamanho faz diferença?
Todo mundo acha que não, mas por via das dúvidas...
Há quem faça essa pergunta ao parceiro. Outros, fazem-na ao psicanalista. Outros, enfim, tentam agir.
Diz o ditado que tamanho não é documento, mas todo homem quer ter a sua carteira de identidade apresentável.
Em tempo de crises sociais e internacionais, umas mais sérias do que as outras, os pequenos dramas individuais persistem. E até se agravam. Falo sério. No Fórum Social Mundial e no Fórum Econômico de Davos muitas relações internacionais começam ou terminam em cima do pênis (ou, como diz o outro, a nível de pênis). Há quem garanta que esses encontros só existem para isso. Quer dizer, em volta do pênis. Melhor, em torno do tamanho do pênis. E do nome dado em cada língua ao pênis. Podem surgir incidentes diplomáticos por causa disso, embora o inglês tente colocar todos os pintos no mesmo saco.
– Não quero nada com o Peru.
É o tipo da afirmação de duplo sentido.
Pior ainda é:
– O Peru é pequeno, mas duro.
Nas negociações.
Uma das coisas mais sérias do mundo é o humor.
Só é humorista quem é levado a sério.
O resto é piadista. Especialmente quem faz piada de duplo sentido. Eu sou um piadista. Não me levo a sério.
Conheci um humorista que pensava em se matar por uma razão bizarra: todo mundo ria dele e do humor dele.
Eu rio do meu humor. Sou o único.
Ainda assim, sei que sou o melhor do mundo.
Cronista não é padre nem pastor (embora alguns tenham o seu rebanho). Não lhe cabe pregar moral todos os dias. Só de vez em quando. Nada contra os padres e os pastores. Alguns até são bons cronistas. Mas, falando sério, são profissões distintas (nem sempre diferentes).
Sério, muito sério: uma das maiores catástrofes naturais para muitos homens é ter pinto pequeno.
Com todo respeito pelos grandes dramas globais.