Juremir Machado da Silva

País do futuro?

Desigualdade oceânica

 

      Era uma vez um país que não queria se enxergar apesar de todos os espelhos que lhe eram oferecidos. Esse país se chama obviamente Brasil. A última lente que lhe foi apresentada tem um nome sugestivo: “A distância que nos une, um retrato das desigualdades brasileiras”. É um produto da Oxfam, entidade internacional que escancara os fossos mundiais entre ricos e pobres. Dados de filmes de terror: “Neste momento, o 1% mais rico da população mundial possui a mesma riqueza que os outros 99%”. Mais de 700 milhões de seres humanos vivem abaixo da linha pobreza, que é de míseros 1.90 dólares por dia. Oito pessoas no mundo possuem a mesma riqueza que metade da população do planeta.

O Brasil consegue a façanha de ser pior: seis pessoas “possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres”. Cada dado é mais assustador do que o anterior: Os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%”. Querem que não haja violência? Querem que com essa desigualdade sejamos como a Suécia ou a Dinamarca? Querem resolver o problema com repressão? Tem mais: o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo e “o que mais concentra renda no 1% mais rico”. O espelho se agiganta para tornar tudo mais claro: “Seriam necessários 19 anos de trabalho para equiparar um mês de renda média do 0,1% mais rico”. Para cegos ideológicos: “80% da população brasileira – 165 milhões de brasileiras e brasileiros – vivem com uma renda per capita inferior a dois salários mínimos mensais”. Os 5% mais ricos ficam com 95% das riquezas brasileiras.

Era uma vez um país canalha que resistia a qualquer mudança substancial ou só o fazia muito lentamente. Um país machista: “Saímos de uma situação em que mulheres ganhavam 40% do valor dos rendimentos dos homens para uma proporção de 62% em 20 anos (...) A renda média do homem brasileiro era de R$ 1.508,00, enquanto a das mulheres era de R$ 938,00”. Atenção para a previsão: “Mantida a tendência (...) a Oxfam calcula que mulheres terão equiparação em 2047”. Era uma vez um país racista: “Entre as pessoas que recebem até 1,5 salários mínimos estão 67% dos negros brasileiros, em contraste com menos de 45% dos brancos”. Diga, espelho: “80% das pessoas negras ganham até dois salários mínimos”. Mais, espelho atroz, diga: “Tal como acontece com as mulheres, os negros são menos numerosos em todas as faixas de renda superiores a 1,5 salários mínimos, e para cada negro com rendimentos acima de dez salários mínimos, há quatro brancos”. Esse é o Brasil.

Ainda não convenceu? Lá vai: “Considerando todas as rendas, brancos ganhavam, em média, o dobro do que ganhavam negros; em 2015, R$ 1.589,00 em comparação com R$ 898,00 por mês”. Vem a previsão: “A equiparação da renda média com a dos brancos ocorrerá somente em 2089”. As reformas em curso atrasarão esse processo. A Oxfam massacra: um maranhense ganha em média 60% menos que um trabalhador de São Paulo e apenas 27% do que recebe uma pessoa do Distrito Federal. Brasil!!!!