Paixão é o patrono
Deu Paixão Cortes.
Era carta jogada.
Favas contadas.
Foi merecido.
Paixão não tem livro importante.
Quem tem?
Talvez o seu melhor livro seja "Como dançar o pezinho".
Está muito bom.
Paixão vem dos CTGs.
Sabe ser patrão.
Vai dar um bom patrono.
O homem é uma estátua.
Estátua do laçador.
Não seria eu, que jamais aprendi a laçar, a sair por aí, ao crepúsculo, para lembrar Neruda, apagando estátuas.
Paixão é bom.
Ajudou a inventar o imaginário gauchesco.
É uma personalidade, um personagem, um ícone, um símbolo, como o mosqueteiro, o saci, o lobisomem, o negrinho do pastoreio, etc.
Durante muito tempo eu achava que ele era uma lenda, que nem existia, até que o encontrei na Rádio Guaíba.
Paixão é de Santana do Livramento, como eu, como Carlos Urbim, o atual patrono.
Santana do Livramento agora é bi.
É uma hegemonia devastadora.
Paixão está velhinho.
Eu sou a favor de que o patrono seja sempre o mais velho.
Não, nada de homenagem quase póstuma.
Homenagem a quem já fez mais.
Eu nada fiz.
Se um dia eu for escritor, quero ser patrono.
Venho publicando livros.
Não basta publicar livros para ser escritor.
É preciso que os livros estejam expostos nas vitrines das livrarias.
Eu não concorrerei mais a patrono.
Quer dizer, só depois que o prêmio for dado, sem eleição, a Sérgio Faraco, Tabajara Ruas, Sérgio da Costa Franco, Luis de Miranda, Airton Ortiz e Jane Tutikian.
Se eu fosse escolhido, renunciaria em favor de Luis de Miranda.
Sartre renunciou ao Nobel.
Eu renunciaria ao patronato.
Seriamos só dois no mundo a ter feito grandes renúncias: Sartre e eu.
Meus inimigos dirão: "As uvas estavam verdes mesmo".
É muito provável.
Ninguém precisa acreditar em mim.
Deu Paixão na cabeça.
Foi o resultado mais justo.