Juremir Machado da Silva

Pandorgas, cavalos e ainda o BBB

Pandorgas, cavalos e ainda o BBB

Oi, Ju: tua crônica sobre o BBB foi a coisa mais divertida e bem-humorada que eu li nos últimos tempos. AMEI DE PAIXÃO. Bijus.
Mirna


Bom dia, Juremir.
Como teu leitor, normalmente, acho interessante tuas crônicas.
Essa de hoje, dia 1º de abril, estava muito rançosa.
O escritor tem o direito de exprimir suas idéias, seus pensamentos e até seus sentimentos referentes a um assunto qualquer.
Não discordo totalmente de ti, também não sou fã do tal de Big Brother, mais porque são uma turma de zeros à esquerda, uns incompetentes sem preparo intelectual nenhum para nos transmitir algo de bom.
Meu único senão é que dizes, ’ipsis literis’: " O Brasil reacionário adorou. Venceu aquele que tem a cara do país: bronco, conservador e homofóbico."
Só que esqueces, e eu sempre achei que jornalista, por ser informado, tinha boa memória, que há alguns anos o vencedor foi um homossexual assumido e declarado. Nem por isso a cara do país era representada por um delicado, moderno e homossexual. Não era essa a cara do país. E o Brasil não é reacionário. O BBB é um jogo, e as pessoas que votam não tem um padrão definido. Por motivos que só a psicologia pode explicar o povo tornou milionário um ex-punk, sem educação, que dizes conservador para desespero dos conservadores.
Juremir, não dá para chamar esse cara de conservador. É uma ofensa para quem é um trabalhador chefe de família. E outra, é perder tempo comentando o BBB. Não esquece que foi o BBB que ajeitou as finanças da Globo, portanto eles não vão matar a galinhas dos ovos de ouro deles. E no ano que vem teremos de novo o BBB. Faz como eu liga a TV no Sport TV, Globo News ou National Geographic. O resto não dá para assistir. Aqui em Passo Fundo ainda temos a RAi para divertir a italianada e nós.
A imprensa em geral, cujo representante é o jornalista, não gosta de receber críticas pois acham que sempre tem razão. Só que os leitores também tem suas opiniões, e são eles que compram e assinam os jornais. E neste caso até faltou um pouco de memória de tua parte para tuas definições, pois, como vês, nada é definitivo.
Um grande abraço do teu leitor
Mauro.

Prezado Juremir:
Dizem que a gente não deve nunca se arrepender daquilo que faz, mas às vezes não tem jeito. Infelizmente ocorreu comigo algo de que até hoje me arrependo. Nos idos de 77 ou 78, participei, em Porto alegre, de um movimento com algumas passeatas em que um dos objetivos era libertar da cadeia um então líder estudantil chamado Adeli Sell, que acabou, mesmo, sendo libertado. Se arrependimento matasse... Creio que esse senhor não passou tempo suficiente na cadeia. Ele, hoje vereador, tem se dedicado a fazer leis para regulamentar a espontaneidade da vida social, na maior parte das vezes, em detrimento daqueles que ele dizia defender nas décadas passadas, o povo pobre, os "do andar de baixo",como diz Elio Gaspari. Ficou famosa a sua cruzada anti-camelôs. Agora, sua última pérola é ,na capital do Rio Grande do Sul, estado construido por cavaleiros e cavalos, regulamentar as fezes (a bosta) dos animais. Na realidade, como se não bastasse a altamente demofóbica lei que vai retirar as carroças de circulação, o nosso vereador quer obrigar os carroceiros a juntar as fezes dos animais. Até parece que a cidade está submersa em bosta de cavalos. Imagine uma lei desse tipo em Palomas. O que acontece, na realidade, é que uma riqueza (mesmo na pobreza) social, uma diversidade cultural e a luta pela sobrevivência estão sendo "enquadradas" em regulamentos com o objetivo de dificultá-las, senão inviabilizá-las. Como sempre, quem perde mais são os pobres, cuja luta quotidiana é mais árdua. E o nobre vereador tem se especializado neste tipo de ação. Dá a impressão , de que os carroceiros e seus cavalos estão causando um mal social. A bosta causa mau cheiro? Sim, mas nada que alguns pneus de automóveis e a primeira chuva não resolvam. Alega-se que a bosta de cavalos causa doenças. Existe alguma comprovação científica de que a retirada das fezes dos cavalos da rua teve algum impacto epidemioilógico? Além disso, nos eventos "oficiais" do tradicionalismo, a lei permite a bosta, que será limpada pelos organizadores do evento, geralmente ligados ao poder público. Ou seja, só quem efetivamente pagará este pato é o carroceiro pobre, alvo constante de alguns de nossos representantes. Porque o nobre vereador não proibe, por exemplo, a circulãção de automóveis com mais de 140 HP de potência?
Fico pensando em quanto o Fernando Gabeira não deve ter se arrependido por ter feito uma "ação armada" para libertar o José Dirceu...
Um abraço,
Marcelo Generali da Costa, médico, cidadão.


Prezado Juremir. Sobre tua crônica de hoje (Soltar pandorga) fiquei com uma curiosidade. Afinal de contas, aquele piá de Palomas, fazia suas próprias pandorgas? Ou, como a última frase do texto (comprarei um lindo "morimbondo")) parece denunciar, já comprava elas prontas? Pode ser que tu penses: mas o que é que chato quer com a feitura da pandorga? Antes de mais nada quero te lembrar que aqui está um dinossauro, que ainda acredita que a essência do homem está na produção das riquezas (aquelas coisas do velho barbudo, sabes como é). E não na fruição das coisas, como parece ser o código das pós-modernidade. Mas, voltando à pandorga, um teste para me convencer que tu sabes fazer uma pandorga. 1) qual a cola que usavas? Goma arábica ou grude de farinha? Se era grude, ele era feito com água fria, morna, ou quente? E os caniços? Eram de taquara? Se de taquara, era de taquara verde ou seca? Quantos caniços usavas? Apenas dois? Três? Ou eras daqueles que caprichavas com cinco ou seis? E o barbicacho como era? Mas não penses que estou te provocando. Estou mesmo é interessado em saber se é verdade aquele enunciado que todo o universal, ao se particularizar, assume contornos próprios. Em São Luiz Gonzaga usávamos grude com água morna, a taquera era seca (mas não muito para não quebrar), o modelo era o das três varetas, e o barbicacho era de três fios do barbante. Um abraço do Arnoldo (lá da PUC).

Olá, Espero encontrá-lo bem.
Que a Paz de Cristo esteja com você hoje e sempre.
Sou uma criatura muito insistente.
Às vezes acabo tendo êxito em meus empreendimentos, usando evidentemente, apenas essa insistência.
Mesmo sabendo de sua ocupação diária, de seus compromissos, de seu trabalho, gostaria de poder dizer-lhe da importância que seu trabalho tem junto a pequenos grupos de estudo que temos organizado para refletir sobre questões do dia-a-dia.
A coluna de hoje "encéfalos esponjosos" me faz pensar na sua coragem. Ousadia? Posicionamento?
Talvez isso também, porém acredito que "os sinos dobrem " por seu conhecimento.
Coragem, é para pessoa competente.
Obrigado pela coluna. Muitos de nós gostaríamos de poder dizer isso.. bem isso... talvéz isso..
Continuo acreditando que poderemos ouvi-lo, pessoalmente.
Vou insistindo...insistindo...
Uma Feliz e Abençoada Páscoa.
Com carinho da Janete