Juremir Machado da Silva

Parábola do mau jogador de futebol

Era uma vez um esporte pré-histórico chamado futebol.

Havia regras para expulsão de jogadores durante as partidas.

O árbitro só podia expulsar em três situações:

  1. Se um jogador cometesse falta violenta

  2. Se impedisse, com a mão, não sendo goleiro, a bola de entrar no gol

  3. Se insultasse ou agredisse o próprio juiz


Em certo jogo, porém, o árbitro expulsou um jogador que não cometera qualquer dessas infrações. Cercado, questionado, pressionado, quase chutado, ameaçado, concedeu uma explicação:

– Ele estava jogando mal.

– Mas isso não é motivo de expulsão – gritaram todos.

– Ele é muito ruim – insistiu.

– Isso também não é justificativa – reagiram os defensores do jogador.

– Ele não trocava passes com ninguém, não dialogava, centralizava demais o jogo.

– Que absurdo!

– O jogo estava parado. O público ia embora. Era preciso fazer alguma coisa.

– Mas isso continua não sendo motivo. Não está na regra.

– Ele me ofendeu.

– O que ele disse?

– Coisas graves.

– Que coisas?

– Graves.

– Outros também disseram.

– O crime de outros não o absolve.

– O senhor não relatou isso na súmula.

– Coloquei o essencial: ele foi irresponsável.

– Não há provas.

– Ele deve ser julgado pelo conjunto da obra.

– Que conjunto?

– A sua ruindade.