Juremir Machado da Silva

Para o dia dos namorados

Souvenir

 

Deixamos para trás os caules,

As lagoas, pátios, roldanas,

Os arames, os poços, badanas.

 

Sobre o bocal dorme o balde,

Alheio à porta que ainda bate.

 

Deixamos atrás de nós as doces figueiras.

Uma terra de areia e de manhãs dispostas.

Bem longe, metálico, um cachorrinho late.

Mas o silêncio recai no entorpecimento.

 

Agora o oceano se esconde do sol

E os rastros se perdem nas ondas.

Pela estrada ocre, casas e vales,

Vales e casas, animais no pasto,

Eucaliptos, florestas, videiras,

Olhos que mal dão para o gasto.

 

Paredes caiadas, ou um girassol.

Cacos queimados de porcelana azul,

Junto às rugas secas do grande umbu,

Já fazem relembrar do esquecimento,

Daquilo que não fomos, nunca, eu e tu.

 

Enquanto assim nos afastamos do sul,

Por um novo caminho de veias expostas,

Onde os bois exibem suas enormes panças,

E os pássaros ensaiam esquisitas danças,

Uma criança com um vidro fosco

Espia do outro lado dos trilhos.

 

Através de uma janela sem brilho,

A mãe ralha com o seu filho,

Um homem esculpe um boneco tosco,

A tarde quente se espreguiça como um cão.

Compro um souvenir na loja de lembranças.