Chove fininho sobre Paris outonal.
Caminhamos pelas ruas do Quartier Latin.
Paris muda muito pouco a cada ano.
Tudo parece sempre no mesmo lugar.
Na tevê, um encontro da oposição ao presidente François Hollande.
Slogan do encontro: "A direita que queremos".
A UMP, direita republicana, não esconde sua cara. Vê-se como o que é: direita.
Por que no Brasil o consórcio DEM, PSDB, PP e parte do PMDB não se vê como tal?
As ideias são as mesmas. Menos Estado, mais iniciativas privadas.
A direita brasileira não se vê como direita por ser mais ardilosa: vê-se como a verdade.
Chove sobre Paris. Temos muito a aprender com a velha Europa.
A Alemanha teve 0,1% de crescimento no último trimestre, depois de - 0,1% no trimestre anterior.
Franceses querem saber qual é a fórmula do Brasil para ter um desemprego tão baixo.
Para eles, isso é o mais importante.
Vale lembrar que franceses e alemães têm mais formas de ajuda social que o bolsa-família.
Os escândalos brasileiros de corrupção repercutem na Europa.
O sociólogo Dominique Wolton resume: "A presidente Dilma precisa se livrar da corrupção para salvar suas políticas sociais. Por trás do combate justo à corrupção, a direita brasileira quer mesmo é derrubar o modelo de ajudas sociais de Lula e Dilma".
A França já passou por muita corrupção nos primeiros governos socialistas. Financiamento privado de campanha política é um convite à roubalheira. O melhor é articular financiamento público com financiamento de pessoa física limitado por um teto.
O sociólogo Jean-Pierre Dupont recorre a uma velha metáfora: "O perigo é jogar a criança fora com a água da bacia. A corrupção é um cancro. Precisamos ser implacáveis com ela. Mas não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que por trás de toda crítica à corrupção há apenas interesse moral ou moralista em defender a honestidade. Muitas vezes, o bom torna-se mero instrumento de combate ideológico em nome do que há de pior, o ódio a políticas de inclusão. O importante é limpar a casa sem regredir".
Paradoxos, paradoxos, chuva fina, desafios de outono.