Juremir Machado da Silva

Personagens

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ÔNIBUS EM ITAQUI
“ Andar de ônibus em Itaqui é uma aventura. Sempre quando chove vou para o trabalho de ônibus. Não tenho carro. Hoje (02/09/2010) fui de ônibus. Embarco em frente ao cemitério. Não tem nada de anormal embarcar frente ao cemitério, pois ali só tem gente descansando. Gosto de ficar observando as pessoas dentro do coletivo. O que eu embarco, não tem roleta e o cobrador fica lá atrás observando as pessoas que entram, para só depois ir lá e cobrar a passagem (em Porto Alegre é tarifa). As mulheres ficam olhando umas para as outras, tentando achar algum defeito na roupa, cabelo ou sei lá onde. Mulheres gostam de achar defeito nas outras. Os estudantes sentam lá no fundo e ficam na maior algazarra até chegar no seu destino (escola). Hoje presenciei uma cena que me lembrei de você. Temos aqui em Itaqui um comunicador da Rádio Cruzeiro do Sul, que é como você: o xodó das senhoras e mulheres de mais idade. Chama-se Ceneu Saucedo, o Uau! Homem que usa do microfone para ajudar muitos munícipes que escrevem pedindo algum tipo de auxilio, seja para remédio, consultas, cestas básicas e até mesmo botijão de gás. Ele conclama à comunidade e sempre obtem êxito. No dia de hoje ele recebeu uma carta, para solicitar ajuda a um senhor de idade que machucou o joelho e como sempre conseguiu e o senhor irá operar o joelho. Hoje ele embarcou e sentou-se ao lado de uma senhora que radiante conversava com seu ídolo, não descuidando do local onde desceria. É proprietário de um jornal local, o A Verdade. Tem até música de carnaval em sua homenagem. O ônibus aqui faz uma turnê pela cidade, passando por diversos bairros e até pela praça Marechal Deodoro da Fonseca ( a mais bonita do Estado). Enfim, temos personagens diversos em nossa querida cidade e hoje resolvi contar sobre a vida de um. Um grande abraço”. Ass: MARIONI ALVES DIAS, contabilista, colorado, 41 anos.
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Dica: Você poderia solicitar que pessoas escrevam para você, pedindo que contem sobre suas cidades. Seus personagens, pontos turísticos e enfim... , para que você conheça melhor as cidades do interior do RS.
Marino


Parabéns pela sua coluna sobre o grande LB. Penso que li quase toda a obra de LB. Reli várias vezes o Triste fim de Policarpo Quaresma e Vida e morte de M.J.Gonzaga de Sá, que não tendo a capacidade de análise e crítica que que você tem como intelectual, considero excelente. Também, as suas crônicas em Marginália e Feiras e Mafuás. Em época
de eleição sempre releio duas que continuam atuais: "A política republicana" e "Palavras de um simples", ambas publicadas no volume Marginália. Outra que me emociona é "O Estrela" - re-
cordações da infância sofrida na qual vaticinava o seu triste fim: "Agora, com lágrimas nos
olhos, lembro-me dele quando, aos sábados, ia buscar-me no colégio, naqules dias ansiosos
e satisfeitos da minha meninice, isenta ainda de qualquer visão amarga do mundo e do deses-
pero do meu próprio destino", p.53 de Feiras e Mafuás, ed. Mérito. Penso que em boa hora
você dá uma dica de excelente leitura aos jovens que o desconhecem.Atenciosamente,
joaoelbertoferreira@gmail.com

Prezadíssimo cronista.

Em primeiro lugar, obrigado pela companhia. Há dez anos que estamos juntos, diariamente, à mesa do café matinal.

Teus textos são estimulantes. Não preciso concordar com tudo o que eles dizem, mas me é indispensável saber o que estão dizendo. Massageia o cérebro, estimula.

Nos últimos dias, tem me chamado a atenção a crítica pertinente que fazes a esses autores premiados em concursos literários. O caminho mais curto para a premiação é esbodegar a estrutura da linguagem, o que por si só é um crime punível com, sei lá, seis horas de Celso Luft por dia e mais seis de Rocha Pombo.

Há um outro aspecto nessa questão que talvez também seja relevante. Como mantenho, por pura diversão, alguns concursos (de poesia e de contos), ativos em sites de relacionamento e por vezes me vejo estreito para arrumar tempo de ler tudo, simplesmente não acredito que os juizes destas coisas oficiais que andam por aí conheçam todos os trabalhos concorrentes. Chico Buarque, quando foi convidado a participar do juri de uma trenga dessas, em Cuba, contou que lhe apresentaram, literalmente, um baú cheio de romances. Ele teria menos de uma semana para ler tudo. E a ainda participando de todas as inevitáveis atividades complementares. Leu? Como a gente dizia quando piá, "no cu, papagaio!" Nem que a vaca tossisse em inglês. Ou em espanhol cubano.

Aliás, o mesmo Chico entregou que um amigo dele disse que naquela baú tinha uma "coisa especial". Se nosso sambista passou os olhos em mais alguma, não contou. Sintomaticamente, porém, entregou que a "coisa especial" foi premiada.

Assim, por todos os motivos e mais alguns, essas medalhas que reluzem por aí em alguns peitos inflados não passam de conversa pra boi dormir.

Um grande abraço,

Rogério.