Pobre Luis XVI
Não sei a razão. Mas praia me faz pensar no passado.
Fico aéreo.
Uma nostalgia inexplicável se apossa de mim.
Tomo caipirinha para aterrissar.
Entro em contato com fantasmas.
Vi a Baby Consuelo em Copacabana.
Passei pelo Lobão no Leblon.
Vi a Lucélia Santos em Ipanema.
Assustado, fugi para a Bahia.
Porto Seguro.
O Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, favorece as viagens no tempo. Se duvidar, cruzo com Cabral. Já vi alguns indiozinhos para encantar turistas.
Certo é que praia me faz pensar no passado.
Tenho pensado muito na Revolução Francesa.
Não estou falando da revolução representada pelo casamento moderno do presidente Sarkozy com Carla Bruni.
Nem em 1968. Que terminou em 69.
Tenho pensado em Luis XVI.
Isso mesmo, o Luis Capeto que perdeu a cabeça.
Logo ele que era filho de Deus.
Isto é, era representante de Deus na França.
Perdeu a cabeça para sempre.
Quer dizer, tiraram a cabeça dele na guilhotina.
Um povo que guilhotina o seu rei é capaz de tudo e merece respeito. Duvido que os ingleses tenham coragem de fazer isso mais uma vez. Povo que guilhotina rei é capaz até de criar o Novo Romance, a Nouvelle Vague e 300 tipos de queijo. Não há limite para uma nação tão despachada assim.
Luis XVI era um sujeito legal para um rei. Adorava caçar javali, brincar de ferreiro e olhar seus mapas.
Parecia, no entanto, sempre perdido.
Era péssimo com as mulheres.
Quem mandou ter nascido antes de Rubem Braga.
Casou com Maria Antonieta quando ela tinha 15 anos de idade e ele, mais velho, 16 aninhos. Uma loucura.
Foram para a cama, como era costume, sob os olhares atentos de um grupo privilegiado de cortesãos.
Passaram-se mais de três anos até que o casamento se consumasse. Ou seja, até que Luis chegasse no pedaço.
E olhem que o pedaço, território austríaco anexado à França, não era ruim. Dava um bom caldo aquela Maria.
Luis parecia Macunaíma. Na hora de pegar pra capar, quase dizia: “Ai, que preguiça”.
Ouviu todo tipo de desaforo de Maria Antonieta. Um dia, na frente de todo mundo, ela o interpelou:
– O senhor é meu homem. Quando vai ser meu marido?
Luisinho bruxuleou feio. Fosse aqui na Bahia, dava morte. Um senhor nos contou hoje mesmo que uma mulher, desprezada pelo marido num forró, foi em casa pegar a peixeira e o apunhalou pelas costas bem no meio do salão.
O historiador e romancista Max Gallo, em “Revolução Francesa”, narra as desventuras eróticas de Luis. Ele era esforçado, tentava de tudo, mas não havia viagra. Todo mundo controlava os seus lençóis. A mídia atual é fichinha perto do que se fazia e dizia naquela época. O embaixador da Espanha, numa carta, escreveu isto:
– É de se duvidar que tenha consumado o seu casamento (...) São encontrados nos lençóis dos príncipes manchas que revelam que o ato ocorreu, mas muitos as atribuem a expulsões externas do delfim, que não teria conseguido concluir a penetração não por problemas de temperamento, mas devido a uma pequena dor em alguma lugar delicado que se acentua quando ele insiste.
Conheço gente que nem insiste mais.
Nem A Fazenda e BBB fariam pior.
Em suma, Luis XVI não dava uma dentro.
Acabou perdendo a cabeça.
Nunca soube o que é que a baiana tem.
Se tivesse vivido no Brasil, sua cueca, ao menos, teria servido para alguma coisa.