Juremir Machado da Silva

Polêmica em torno da exumação de Jango

Estimado conterriano:como uma das maiores autoridades sobre ao assunto "Jango", receba um desabafo. Ontem, lendo o "Correio" , me deparei com uma notícia intrigante. "Uma equipe de peritos da Polícia Federal, da Comissão da Verdade e do Ministério Público Federal" virá a São Borja "preparar a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart."

Vão montar uma parafernália custosa (e meio ridícula) para "analisar as características do túmulo e do cemitério...e identificar a estrutura para o transporte do material até o aeroporto."

Conclusão: sob o pretexto de coletar material  para exame capaz de identificar o suposto "envenenamento", que teria ocorrido há 37 anos, vão transportar a totalidade dos despojos (Os Ossos do Presidente) para Brasília. Há coisas óbvias, tão óbvias que a gente custa perceber.

Agora percebo: Os Ossos do Presidente não voltarão mais para São Borja, vão ficar em Brasília, onde a família festeja a construção d e um memorial. Além de violarem o mausoléu  onde repousa um dos oráculos de São Borja, vão violentar o imaginário popular, a memória coletiva, bulir com um patrimônio do povo, tombado por imperativo da Lei Orgânica municipal, conduzindo para longe um dos símbolos históricos do município, fonte de peregrinação sentimental, política e cultural da comunidade. Jango foi inumado em São Borja por desejo seu, ele morreu sonhando em voltar para a sua terra e só voltou morto. Agora, utilizam a PF, o MPF e a Comissão da Verdade para trair o desejo derradeiro do Presidente, para arrancá-lo definitivamente do seu chão.

Eu não tenho dúvidas que isso significa um segundo exílio, mais doloroso ainda, do qual ele não retornará nunca mais e nem poderá sonhar com a sua volta, porque será um exílio sobrenatural. Além de ser uma traição com a memória de Jango, será um ato lesivo ao interesse coletivo. O Prefeito me incluiu numa Comissão para acompanhar os fato s e eu não pretendo calar. Além de denunciar, pretendo ingressar na Justiça para evitar lesão ao interesse histórico e cultural e  ofensa a Lei Orgânica, através de Ação Popular. Saludos. Iberê Teixeira