Juremir Machado da Silva

Polêmica sobre a reforma do código florestal

Polêmica sobre a reforma do código florestal

Boa tarde Juremir.
Sou produtor rural em Lavras do Sul-RS, engenheiro agrônomo e presidente de uma entidade recentemente fundada (ver matéria no dia 09/07, na rural) a Aplandisul.
Ao ler seu artigo no dia 09 deste mês, penso que nem o leitor, nem o produtor mereciam uma abordagem tão equivocada e mal posicionada.
Ofereço em anexo, nosso entendimento, se o senhor puder publicar em sua coluna, ficaríamos agradecidos.
Eng. Agrº Gerson Diefenthaeler Herter
Presidente da Aplandisul

Minha resposta:
Caro Senhor: eu discordo da sua avaliação. Não considero o meu texto nem equivocado nem mal posicionado. Considero minha posição diferente da sua. Apenas isso. Imagino que o senhor considero equivocadas e mal posicionadas as observações do Ministério Público Estadual (promotor Júlio de Almeida), de especialistas como Paulo Brack (do Instituto de Biocências da Ufrgs), dos ambientalistas em geral, de Marina Silva, que se posicionou contra o projeto aprovado pela Comissão Especial da Câmara e assim por diante. Publicarei o seu texto em meu blog do CP. Atenciosamente, Juremir
Esqueci de dizer: acabo de encontrar o vereador Beto Moesch (PP), que me parabenizou pelo posicionamento correto do meu texto e me pediu para não esmorecer na defesa da conservação das leis de proteção ao meio ambiente. Atenciosamente, Juremir
P.S.: seu texto já está no meu blog (www.correiodopovo.com.br)


Mas Juremir, com todo o respeito pela sua posição.
Faço parte de um grupo de produtores que faz o possível para a preservação do solo.
Tentamos produzir o máximo com a mesma quantidade de recursos naturais, Kg soja/mm de chuva.
Mesmo eu não tendo um palmo de chão, não poder me queixar do MST?
Dizer que só penso em meus ganhos, depois de todas as conquistas ecológicas que conseguimos? Poderíamos vender nossos produtos de qualquer forma para vocês, pois vocês não tem de quem comprar, quem, no mundo produz soja e preserva mais que nós?
Só nós queremos acabar com as APPs? E em Porto Alegre, os condomínios nos morros, na beira do Guaíba...
Dizer que podemos destruir,derrubar desmatar que tudo fica numa boa? Não imaginas o quanto é duro produzir sem dinheiro, totalmente individado, suando para pagar salários e viabilizar desenvolvimento em nossa região, onde a evasão escolar bate recordes estaduais. Na mesma quinta feira, 08/07, uma escola de Lavras do Sul, onde exerço atividade profissional, ganhou primeiro lugar na Mostra Educacional Profissional, em Livramento, desbancando 55 concorrentes. Sabe o que mostrava? A diferença que faria a produção agrícola, em 15% da área para produzir milho para confinamento e com isso acabar com a fome do gado. Triplicaríamos o PIB municipal, e com isso traríamos maior expectativa de emprego aumentando o interesse pelo estudo.
Ser chamado de agrochatos e ATRASADOS? De forma genérica!
Gostaria, encarecidamente, que meu artigo fosse puplicado no jornal. Por favor.
Eng. Agrº Gerson Diefenthaeler Herter
Presidente da Aplandisul


Minha resposta:
Também respeito seus argumentos. Não tenho razão alguma para publicar seu artigo no jornal. Já o coloquei no blog como faço com todos as réplicas a meus textos. Acho seu argumento de que a culpa é antes de tudo da cidade muito fraco. A culpa é de todos, da cidade, do campo, do consumismo, do desejo desenfreado de lucro, dos que acham que os ecologistas são ecochatos, enfim, das mentalidades dominantes durante séculos. As leis de proteção ambiental não são contra ninguém. São a favor da sociedade e servem para corrigir os erros de todas as partes no passado. Não perceber a desmontagem da código florestal, como proposto na reforma em curso, é um atraso mesmo. Não sou o único a dizer isso. São milhares de pessoas, inúmeros especialistas, gente muita séria. Atenciosamente, Juremir


Caro Senhor Juremir, Seus comentários acerca da aprovação do projeto do novo código florestal levaram-me a algumas reflexões, que não poderia deixar de manifestar, na condição de produtor rural e, principalmente, de cidadão Brasileiro: - Não vejo como se criminalizar o produtor rural por sua atividade, pois a mesma sempre foi desempenhada a partir de leis vigentes na ocasião dos atos por ele praticados: lembre-se de que em anos passados o próprio Governo Federal estimulou a ocupação de Centro-Oeste e da Amazônia, inclusive subsidiando aqueles que para lá se deslocavam. A ocupação destas áreas permitiu ao Brasil se tornar auto suficiente em alimentos. As leis e normas vigentes permitiam o desmatamento e a exploração em áreas maiores do que liberadas por regulamentos posteriores. A mesma regra se aplica aos produtores do centro-sul do país que, de uma hora para outra, passam a ser tratados como foras da lei. A envoltória das leis e normas vigentes inviabilizam grande parte da produção agrícola Brasileira. Imagine você este rigor sendo aplicado aos médicos: quantos medicamentos , ao serem colocados no mercado, salvaram a vida de pessoas? E quantos deles foram posteriormente proibidos? Aplicando-se o mesmo princípio, teríamos todos os médicos fora da lei, passíveis de pesadíssimas sanções, por seus receituários passados! E quanto aos juízes, que no passado julgaram a partir de Leis posteriormente revogadas? Seria o fim do Poder Judiciário. Isto vale para muitas outras atividades , que com o tempo evoluíram. Os produtores rurais brasileiros produzem em uma área inferior a 10% de todo o nosso território. E são de competência reconhecida mundialmente. O Brasil é um dos campões mundiais em termos de áreas preservadas. Então, por que esta pressão toda? Por que sòmente o produtor rural deve pagar esta conta? Se formos falar em preservação ambiental, vamos então dividir a conta entre todos, do mundo inteiro! Você, por sua parte, pode dar sua colaboração: em sua próxima viagem à Europa, vá de caravela, que não polui! Quanto à questão de produção de alimentos, faça também sua parte: pare de comer! Se todos pararem de se alimentar, não se fala mais em desmatamento, Reserva Legal, APP, enfim , todo este entulho legal, que infelizmente tentam empurrar ao Brasil. Finalmente, gostaria de dizer que me sentiria feliz se existisse uma "bancada ruralista", com a força que você a ela atribui. Democràticamente, Marco Aurélio Costa Rodrigues da Cunha-51 99682655- Av Cái 211- Porto Alegre.

Minha resposta: obrigado. Colocarei seu e-mail em meu blog.