Juremir Machado da Silva

Polêmicas de carnaval

Polêmicas de carnaval

Que baiano é marqueteiro qualquer um sabe.
Baiano marqueteiro é redundância.
Duda Mendonça não é baiano?
Aquele outro publicitário famoso (esqueci o nome) não é baiano? Ah, lembrei: Nizan alguma coisa. É ou não?
Bahia não é sinônimo de propaganda?
Que injustiça! Que implicância!
Baiano não é marqueteiro nem bairrista. Nem tem culpa de ter nascido num lugar abençoado por Deus e por todos os santos. Cada um com seus problemas e qualidades.
Baiano é criativo, jeitoso, maneiro. E não liga para pequenas ressalvas morais como não ser lascivo com crianças. Em música. Em arte. Em provocação. Coisa assim. Certo é que baiano costuma criar alguma confusão.
E gosta disso. Baiano adora ser baiano.
É como gaúcho. Só com mais jogo de cintura.
E de pernas.
Baiano, como eles sempre dizem, não nasce, estreia.
E faz acontecer.
Tem até polêmica de carnaval.
É uma arte que sempre dá certo. Precisa muito talento para criar polêmica enquanto todo mundo saltita.
Não pensem que a polêmica acontece no intervalo. Nada disso, polêmica boa vai atrás do trio elétrico.
Pois nem existe intervalo.
Sem dúvida, eletrizante. E cultural.
Eu nunca tinha ouvido falar no grupo “O Báck”.
Sou muito ignorante. Estou sempre atrasado.
Tampouco conhecia Tatau, que, tanto quanto a agora pudica Carla Perez, recusou-se a cantar a música do lobo, alegando que é um hino à pedofilia, o que não impediu Ivete Sangalo, dona de todos os pedaços, de satisfazer o seu público e mandar ver a letra extremamente elegante.
Corri para o You Tube. É o meu amansa burro.
O burro, claro, sou eu. Burro velho.
Ouvi “Lobo mau”. Estava escrito “lobo mal”.
É um negócio assim: “Vou teen comer, vou teen comer, vou teen comer (...) Merenda boa, quem preparou foi a vovozinha”. E a menina gosta de ser merenda. E provoca.
Sinal dos tempos. Tempo cheio de novos sinais. Tempo de lobos, lobas, cachorras, vampiros e lobisomens.
O politicamente correto não chegou à Bahia.
Afinal, não existe pecado na terra de Amado.
Uma polêmica só por carnaval não basta.
Baiano gosta de fartura.
Vem com tudo. Bota para quebrar. Arrasa.
Daí a novidade.
Os baianos inventaram o “vale night”, uma liberação conjugal por uma noite. Cada um fica livre para o que der e vier. Pelo jeito, olhando o movimento, vem muita coisa.
Nem sempre volta.
Parece que se pode negociar: vale semana, vale mês, vale curta temporada, vale longa temporada.
Um ano já não é vale. É pensão.
Como diz aquela propaganda: você já foi à Bahia?
Então venha. Mas cuidado com o lobo mau.
E o Arruda?
Está na cadeia. Mas volta. É só um vale semana.
É rebolation!