O intemporal, 116 anos neste 1º de outubro
Cresci venerando o Correio do Povo. Fui dono de banca de jornal com 13 anos de idade. Estava terminando as faculdades de História e Jornalismo quando a grande crise se abateu sobre a Caldas Jr. Fui estrear na concorrência depois de duas experiências fantásticas. Uma, ao lado de Telmo Flor, nosso diretor de redação do CP, na Folha de Viamão, de vida, infelizmente, curta. Outra, com dois amigos que já se foram, prematuramente, Ricardo Carle e Ronaldo Fuchs, e outros que estão por aí sem que eu os veja há anos, como Ciro Silveira Martins, no irreverente The Porto Alegre Times”. Sem contar o nosso jornal anarquista dos tempos de universidade, o implacável O Malcriado, que fazia jus ao nome. Faz agora 11 anos que sou colunista aqui, neste venerável e venerando veículo de comunicação, o melhor do Estado.
Nosso jornal não enche linguiça. Como diz o seu slogan, vai direto a ponto, o que é perfeito para os tempos atuais e não difere do que praticam muitos bons jornais europeus e americanos. Muita gente se engana achando que o CP, por ter menos páginas, teria menos conteúdo. Certa vez, com uma bolsista de Iniciação Científica, medimos a quantidade de textos do CP e a do seu principal concorrente. Em vários dias por semana, O CP tinha um número total de caracteres maior, chegando a colocar, em alguma páginas, o dobro de texto. Dava tudo, em tamanho menor, com mais objetividade e sem oba-oba. Gosto da sobriedade do Correio do Povo. Há muito que é o jornal menos conservador do Rio Grande do Sul e o mais comprometido com os interesses reais da sua população.
O CP tem os melhores colunista do Estado. Hiltor Mombach dá de relho em todos os seus concorrentes. É o único que maneja ironia, humor, informação e profundo conhecimento de futebol ao mesmo tempo. Na politica, Taline Oppitz é pura elegância, precisão e pertinência. A mãe do Joaquim é mil. Elio Gaspari dispensa apresentações e elogios. É um dos melhores do país, um dos poucos colunistas com estilo e informação. Denise Nunes mata a pau em economia. Rogério Mendelski e Luis Carlos Reche enchem os domingos de novidades, análises e sacadas. Paulo Mendes transformou as suas campereadas em livro de mala-de-garupa da gauchada. Eduardo Conill esbanja “savoir-vivre” na sua coluna social. A qualidade dos “nossos colaboradores” completa o quadro. E tem eu. Modestamente o melhor do Brasil neste campo de atuação: a insustentável gravidade das coisas fúteis e eternas.
Falo disso, correndo o risco de ser chamado de chapa branca, de coração e razão. Os cadernos do CP dão um baile nos adversários. Renato Rossi pilota, com as suas editoras, o Carros e Motos como uma Ferrari. O Caderno de Esportes é uma bíblia das segundas-feiras. O Mais Preza reinventou o jornalismo para jovens aqui nos pagos. Por todas essas, sabendo que nunca se vive no melhor dos mundos, posso dizer sem hesitar: o Correio do Povo é o melhor jornal do sul do país e o melhor veículo onde já trabalhei. Feliz Aniversário, velho companheiro de estrada. Estive em 27 cidades gaúchas ultimamente. Em todas, vi o CP reinar como um velho soberano gentil, sábio, permanente, citado, comentado e amado. A máxima do Correio do Povo é conhecida: menos pode mesmo ser mais.