Juremir Machado da Silva

Privada de John Lennon inaugura a hiper-pósmodernidade

Privada de John Lennon inaugura a hiper-pósmodernidade

Charles Jencks datou com precisão o começo da pós-modernidade: 15 de julho de 1972, às 15h32.
Momento exato da implosão, em St Louis, nos Estados Unidos, de um prédio tipicamento modernista, segundo David Harvey, "uma versão premiada da máquina para a vida moderna de Le Le Corbusier".
Uma gaiola insuportável para gente pobre.
A pós-modernidade acabou neste sábado, 28 de agosto de 2010, às 20h18, quando, segundo a mídia, "um vaso sanitário que pertenceu a John Lennon foi leiloado por 9.500 libras (cerca de R$ 25.750) em Liverpool, na Grã-Bretanha" .
O comprador poderá dizer aos amigos: "Aqui defecava um Beatles".
A imprensa está em delírio: "O vaso de porcelana foi usado pelo ex-Beatle durante os três anos em que ele viveu em Tittenhurst Park, no condado de Berkshire (centro-sul da Grã-Bretanha), entre 1969 e 1972.  Lennon havia dado a privada ao pedreiro John Hancock, após ele instalar um novo vaso em sua casa, sugerindo a ele que o usasse como "um vaso para plantas".
Saudável sugestão.
A privada de uma celebridade é sempre multiuso e tem uma uma história, uma "biografia":  "O vaso em porcelana branca, decorado com frisos e motivos florais azuis, foi usado pelo músico quando vivia em sua casa de Tittenhurst Park no condado de Berkshire (sudeste da Inglaterra), entre 1969 e 1972".
Moral da história: começa um novo tempo.
O feliz comprador poderá citar Karl Marx pensando no vaso de Lennon: "A cada um conforme as suas necessidades".