Está chegando a hora de votar. As pesquisas pipocam e mostram resultados que, se confirmados, deixarão reis nus.
O PDT fez uma aposta ousada. Separou-se do PT e uniu-se ao DEM para ter candidato próprio ao governo do Estado e lançar Lasier Martins, estrela máximo no firmamento midiático da RBS, ao Senado. Vieira da Cunha sonhou alto. Lasier arrastaria o PDT da condição de coadjuvante do petismo ao protagonismo regional. Até agora, pelas pesquisas, não colou. Nem decolou.
Vieira da Cunha aparece com 1% na última pesquisa do IBOPE.
É escore de nanico.
Acontece que o PDT é muito estruturado no Estado.
Lasier aparece na frente. Vieira, atrás.
Por quê?
Possivelmente porque os eleitores de Lasier não são pedetistas. São seus fãs da RBS.
Já os pedetistas parecem ter abandonado Vieira.
Seria por causa da aliança com o DEM e com Lasier?
Se o plano era fortalecer o PDT, o tiro parece estar saindo pela culatra. O PDT mostra-se desmilinguido. Lasier exibe boa saúde. Fala, com certa ambiguidade, em ser independente no papel de senador. Lasier, como Ana Amélia, posiciona-se acima de partidos. Em 2012, Ana Amélia contrariou seu partido, o PP, e apoiou a Manuela (PCdoB) à prefeitura de Porto Alegre.
Na era da mídia, o principal partido é a visibilidade midiática.
Até agora o que se vê é justamente a força da mídia na campanha. A visibilidade de Lasier e de Ana Amélia durante anos de televisão está rendendo frutos. Os dois aparecem liderando as pesquisas para o senado e para o governo do Estado.
Nem mesmo dois elefantes como Olívio Dutra e Pedro Simon têm conseguido desbancar do primeiro lugar o novato Lasier Martins, cujo capital político foi obtido pela crítica à política praticada pelos políticos brasileiros ao longo dos anos.
Tarso Genro poderá perder a eleição por ter prometido pagar o piso do magistério, que ajudou a criar como ministro da Educação, e não ter cumprido a promessa. Boa parte dos professores, de qualquer maneira, votará nele por não ver em Ana Amélia opção melhor e por não acreditar que Sartori possa chegar. Sem contar que, de fato, Tarso deu bons aumentos ao magistério. Segundo ele, os melhores. Mas ficará colada nele, para os que não são professores, para os antipetistas, para uma parte dos professores, para uma ala do sindicato dos professores e para os que se sentem desencantados com a política, a ideia de que, como faz o político tradicional, ele disse uma coisa e fez outra. É uma marca terrivelmente incômoda.
No debate de ontem, na Rádio Guaíba, Tarso Genro, mais uma vez, teve de ver-se com ela.
As justificativas de Tarso para não ter cumprido a promessa – a mudança do índice de reajuste e a preservação do plano de carreira do magistério – são bastante razoáveis. O problema é a gravação em que promete pagar o piso sem fazer ressalvas.
O jogo, porém, está aberto. O segundo turno será uma batalha campal.
Ana Amélia vem conhecendo os primeiros ataques sangrentos à sua pessoa depois de décadas ao abrigo de ventos e críticas: o fato de ter sido CC do marido senador, em Brasília, e de não ter declarado ao imposto de renda uma fazenda herdada em Goiás. Ele vem explicando. Mas explicações em política convencem pouco. Quem precisa explicar sempre se enrola um pouco.
Façam suas apostas, senhores.