Questão de nomenclatura
– Você precisa ir ao médico.
– Para dizer o quê?
– Que está com problema.
– Problema no...
– Você sabem bem...
– Problema onde mesmo?
– No pinto.
– Não seja vulgar. Como é que vou chegar no médico e dizer: “Doutor, estou com um probleminha no pinto, sabe?”
– Ué? Como vai falar, então?
– Sei lá... No... Problema no pênis, mulher.
– Aí não dá. Pê...pê... Eu não conseguiria...
– Você não tem esse problema?
– Qual problema?
– Problema de pinto.
– Ora, eu não tenho pinto. Só o seu.
– Anta. Estou dizendo isso mesmo, ou seja, que você não precisa ir ao médico falar em pênis, pois não tem pinto.
– Nem um nem outro.
– Eles são um só.
– Como os gêmeos da novela?
– Chega. Você não precisa falar em pênis para o médico.
– Eu não conseguiria mesmo. Nem que tivesse um.
– Qual o problema?
– Problema no pinto, ora.
– Não, anta. Qual o problema em dizer pênis?
– É que não dá mesmo. Posso dizer bilau, pingolin, lulu, peru, paulo maracajá e outros nomes mais familiares...
– Mais familiares?
– Bem, mais familiares, embora não de família.
– Lulu não é nome de pênis. Não de homem.
– Claro que é. Meu ex chamava o pinto dele de lulu.
– Não falei que não era nome de pênis de homem.
– Você sempre teve inveja do lulu.
– Eu???? Nunca o vi mais gordo nem mais magro. Tô fora.
– Não consigo dizer isso. Não me vem à boca.
– Pênis é um nome técnico.
– Técnico?
– Isso. Neutro, imparcial, objetivo. Técnico.
– Nunca vi um pinto imparcial. Pinto neutro? Ta louco! Técnico para mim é treinador de futebol ou encanador.
– Pois é...
– Não seja vulgar, homem.
– Vulgar é quem não diz pênis.
– Não posso. Isso para mim é palavrão.
– Abra a boca, mulher. Agora. Abra bem. Diga pênis. Vai.
– Não dá. É que assim ele fica me parecendo um estranho.
–