Prédio histórico do Correio do Povo, em Porto Alegre.
Um inspetor fracassado, René Manhãs, volta incógnito à cena.
É a sua última tentativa de resolver um caso antes da aposentadoria.
Tudo está contado em Adiós, Baby.
Ao mesmo tempo, Michel Houellebecq, disfarçado de pinguim, tenta obter um autógrafo do autor de Um escritor no fim do mundo, mas é barrado pelo Ibama e nem chega a aparecer nas fotos de Miguel Costa.
O fotógrafo, porém, flagrou cenas que serão lembradas dentro de mil anos.
Por exemplo, esta imagem da fila dos leitores ansiosos por um autógrafo.
Percebe-se a alegria.Nota-se o encantamento.
Vê-se que se trata de público qualificado.
As imagens não mentem.
A EPTC quase foi chamada.
Por pouco não houve tumulto.
A persistência do público chamou a atenção até de pesquisadores da NASA.
Veja-se a imagem abaixo, com Marta, a fã número 1, comparecendo. Ela presenteou o autor com uma lata de ervilha, infelizmente, a lata, não foi fotografada, mas entrará para história com uma lata de sopa de Warhol.
Minto.Deve ser a emoção.
A lata de ervilha pode ser observada sobre a mesa.
Está bem ali.
Um símbolo da cultura hiperespetacular.
A marca de um novo tempo dissecado pelo autor em suas obras magistrais.
Uma fã mostrou que nem Luan Santana recebe um carinho tão grande trazendo um dos seus infinitos cadernos da coleção de colunas do consagrado escritor que autografava humildemente seus livros.
Ela disse, por humildade, ter seis cadernos com textos do escritor.Especula-se que sejam 600.
No futuro, os biógrafos saberão onde procurar.
Três biografias não autorizadas estariam em curso.
Uma delas, parece, seria escrita por Paulo Coelho, cujo sonho maior é ser biógrafo de uma celebridade emergente, um escritor do futuro.
Como as tradicionais leitoras do famoso autor, as velhinhas cultas e de bom gosto, não apareceram em massa, talvez retidas por algum baile da terceira idade ou por alguma festa nesses começos de noite da vida, as gurias aproveitaram a brecha.


O departamento de marketing do autor está reunido para estudar o que pode ter acontecido com as fãs entre 70 e 102 anos. Trata-se de um público cativo que o autor não está disposto a perder, embora, como as imagens acima revelam, não se mostre insatisfeito com a nova faixa etária atingida pelos seus livros malditos e disputados como pão quente.
E até alguns marmanjos aproveitaram para se fazer fotografar ao lado do célebre autor.
Aí, na foto, Vinicius Sinott e Luiz Carlos Reche, estrelas do jornalismo esportivo da Rádio Guaíba.
Essa imagem certamente será mostrada em todos os cursos de jornalismo.Dá para constatar o brilho dos olhos dos três.
Situação histórica.
Encontro de gigantes.
Momento único.
Não é todo dia que um fotógrafo tem a oportunidade de flagar tal instantâneo.
Os historiadores da iconografia da sociedade hiperespetacular agredecem.
Imagem é tudo.
Imagem é o que está aí.
Cansado de tanto sucesso o discreto autor foi se refugiar em Foz do Iguaçu, num belo evento da Unimed, que garantiu, aliás, o espumante, que jorrava com uma catarata, no lançamento aqui descrito. Na tríplice fronteira, encontrou Michel Maffesoli, seu mestre e amigo. Na imagem, o leitor pode ver um encontro do badalado escritor com o arco-íris.
Nota-se a sinergia entre o olhar do autor e o arco-íris.Encontro de gigantes: o modesto autor, as cataratas e o arco-íris.
Uma cena para não ser esquecida.
Algumas bolhas de espumante podem ser vistas nas lentes do escritor.
A vida flui, é mesmo líquida (basta pensar no espumante), colorida.
Mas também é comercial.
Afinal, como disse Guy Debord, "o espetáculo não canta os homens e suas armas, mas as mercadorias e suas paixões".
Consta que os livros do celebrado autor estão à venda no Correio do Povo. A oportunidade, claro, é única.