Juremir Machado da Silva

Rheingold e Lévy, mitos do virtual



Apesar de calejado, eu ainda me impressiono com pioneiros, desbravadores e mitos. Fico ainda mais impressionado quando posso ouvi-los, conversar com eles, conviver com esses monstros que antecipam o futuro. Tive muitas oportunidades desse tipo na vida. A internet é um campo fértil de feras que largaram na frente e ajudaram a construir este mundo virtual que nos fascina e, ao mesmo tempo, já parece tão banal. Pierre Lévy é um desses pensadores que viram as mudanças antes dos outros e, com o conceito de inteligência coletiva, abriu um clarão em nossa obscuridade. Um mito da internet que estará em Porto Alegre, pela primeira vez, de 5 a 7 de novembro, é Howard Rheingold.

Rheingold é professor na Universidade de Stanford. Ele virá para o XII Seminário Internacional da Comunicação (projetos.eusoufamecos.net/sic2013) organizado por nós, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Rheingold é mais do que um pioneiro. Ele viu quase tudo antes dos outros. Antecipou o orkut, o facebook, o twitter e todas as redes sociais. Quando a internet ainda balbuciava, ele já descrevia o que viria e como seria. A prova disso é que concebeu a categoria que explica e possibilita todos os fenômenos que nos mobilizam atualmente: comunidade virtual. Sem essa percepção, sem essa utopia, nada teria acontecido.

O homem é um americano interessante, adepto das bermudas e camisas floreadas, dos chapéus panamá e de outros adornos com a discrição de uma câmera nada escondida pendurada no pescoço. Dono de uma retórica poderosa e de exemplos tirados do que viveu, ele é uma lenda viva da internet, um arquivo ambulante, uma memória em movimento, o mestre disposto a contar como tudo aconteceu nos distantes anos de revolução informática. Outra ideia que Rheingold ajudou a disseminar foi a de “flash mob”, as mobilizações relâmpagos combinadas nas redes sociais. Encontrar e ouvir Rheigold é meio como ter a oportunidade de escutar um velho herói de faroeste.

Um dos nossos prazeres é convencer esses mitos a virem falar para nós. Fazemos um trabalho de aproximação, argumentamos e buscamos recursos. Afinal, Porto Alegre é uma capital intelectual, em se tratando de conferencistas, de dar inveja a muita gente. O nosso Seminário Internacional da Comunicação já recebeu Edgar Morin, Jean Baudrillard, Michel Maffesoli, Gilles Lipovetsky, Dominique Wolton, Régis Debray, Erick McLuhan, Néstor García Canclini, Pierre Lévy e mais três dezenas de desbravadores de várias línguas e países. Não poderíamos ficar sem Howard Rheingold, pois seria perder um elo na cadeia do virtual. Não escondo meu entusiasmo. É dessas coisas que ainda me dão frio na barriga e me fazem vibrar com a vida inteligente das universidades.

Nosso evento é aberto a todos os que quiserem se inscrever. Fazemos a ponte entre a sociedade e a academia. Abrimos picadas no imaginário. Tentamos mostrar que pensar e ouvir pensadores faz bem para a saúde física e mental. Estudantes de todo o país inscrevem-se em nossos Grupos de Trabalho para mostrar as suas pesquisas. Rheingold, neste ano, será o virtual tornado presencial.