Roth e os dez mandamentos do maldito
Celso Roth é um verdadeiro maldito.
Um mal dito.
Nós, os mal ditos, o acolhemos em nossa tribo com orgulho.
Um maldito segue os dez mandamentos da maldição:
1) Perder sempre o mais importante.
2) Ganhar algo muito importante, confundindo os críticos, para depois perder o mais importante ainda.
3) Surpreender sempre pelo pior. Quando todos estiverem dizendo que a maldição passou, cair do mais alto possível, de maneira a consolidar a velha, boa e incontornável maldição.
4) Encontrar sempre uma nova e mais preciosa oportunidade para, no momento certo, sofrer uma queda superior, inigualável, especial, marcante, capaz de ficar para sempre como um recorde negativo.
5) Não se entregar jamais. Um maldito não é um fracassado. É quase isso. Um maldito não é um vencedor. É quase isso. É também isso. Um maldito é um craque do quase e do inesperado.
6) Decepcionar sempre, mas de modo sinuoso, alcançando o penúltimo degrau da glória, aonde muitos jamais chegarão, e perdendo a glória, onde ele mesmo nunca chegará.
7) Perder sempre que se esperar o contrário. Ganhar sempre que isso foi considerado impossível.
8) Ter sempre um admirador poderoso para cada um milhão de detratores de pouco poder.
9) Estrebuchar diante de todos, ter vontade de sumir pelo ralo e, alguns dias depois, voltar para realizar tudo de novo.
10) Nunca se contentar com a glória fácil, sem grandes derrotas e vitórias improváveis.