Juremir Machado da Silva

Roth, o Philip, não o Celso, anuncia o fim do livro

Tese 164



Previsão retardatária de um homem de ponta e com o verbo na ponta da língua e dos dedos: segundo Philip Roth, lenda agonizante de uma era livresca, a cultura literária vai acabar dentro de 20 anos. Assim como o livro em papel chegará ao seu fim. Mal sabe o escritor que a cultura literária já acabou há bem mais de 20 anos. O livro em papel é apenas o vestígio de um tempo em que ler era o principal acesso a uma cultura superior e a uma visão de mundo diferenciada. Acreditar que a escrita é a forma privilegiada de transmitir ou obter saber é como crer que o preto-e-branco no cinema é mais realista e verdadeiro do que o colorido. Apenas um imaginário, a cor de uma época, máquina produtora de sensações de uma cultura datada, nostalgia de um mundo tecnológico finalmente superado.

Fim de uma autonarrativa.

(lançamento desse objeto em extinção, 28 de setembro, 19h30, na Palavraria)