Juremir Machado da Silva

Sérgio Moro, o vingativo

O Brasil é o país dos vingativos.


Roberto Jefferson vingou-se do PT quando não recebeu toda a sua parte do butim.


Delcídio Amaral vingou-se do governo quando foi pego com a boca na botija e foi em cana.


O juiz Sérgio Moro vingou-se de Lula e de Dilma ao perder o seu brinquedo favorito.


Dilma deu um drible em Moro ao dar foro privilegiado para Lula com um ministério.


Moro viu sua querida investigação ir para o STF.


Não suportou o baque e cometeu várias irregularidades.


Cancelou grampo telefônico de Lula.


Delegado da PF foi avisado e confirmou estar ciente do fim do grampo.


Depois disso, conversa de Lula com Dilma foi gravada.


Pior do que isso, foi divulgada.


Qualquer criança percebe que uma conversa da presidente da República, captada por interceptação telefônica, só poderia ser divulgada com autorização do STF. O resto é conveniência.


Quem está na oposição ou no ataque não se interessa por aspectos técnicos. Só pensa no conteúdo, que é devastador. Depois da divulgação dessa conversa, Dilma e Lula deveriam renunciar.


Sérgio Moro deveria ser punido.


Não se passará o Brasil a limpo fora das regras do Estado de Direito.


O ministro do STF Marco Aurélio Mello vai direto ao ponto: "Quem teria determinado esse grampo? Começamos por aí, seria uma prova ilícita?" Pede cautela: "Temos que aguardar primeiro para constatar a veracidade desses áudios e, segundo, as instituições atuarem e percebermos as consequências, se foi um fato verídico."

O constitucionalista Pedro Serrano  sustenta o que a oposição não quer ouvir:  a partir do momento em que a interceptação telefônica "pega" a presidente, o juiz Sergio Moro "deveria enviar tudo imediatamente ao STF e nada mais despachar no processo". Na bucha:  "Ele não poderia liberar o sigilo. Quem tinha que decidir isso era o Supremo." E tem mais: "Vulnerabilizaram a defesa do Lula, acabaram com qualquer possibilidade de defesa. A acusação ouviu a defesa dele, todas as estratégias. Não dá mais para reconhecer esse processo como legítimo." É jogo jogado. Moro quer derrubar o governo.

O jurista Gilson Dipp botou mais dúvidas na fogueira: "em tese, a interceptação telefônica é obtenção de prova através de um meio altamente invasivo". A divulgação é "preocupante". "Deve ser usada com a cautela devida." A Folha de S. Paulo ouviu também Maurício Vasques, criminalista na Lava Jato, que classifica o grampo como irregular. "Depois de tudo que fizeram com Lula nos últimos dias, gravar ele agora, me parece muito mais para produzir novas provas do que para ter elementos na investigação."

 A OAB/RJ foi mais dura: "O procedimento do magistrado, típico dos estados policiais, coloca em risco a soberania nacional e deve ser repudiado, como seria em qualquer República democrática do mundo."


Sérgio Moro foi para tudo o nada. Deve ter chutado a mesa e gritado: "Ah, vocês querem briga, então vão ver só". E entregou um pacote para a Globo. Ganhou a ovação de quem já o venera. Perde legitimidade.


Juiz magoado pode ser pior do que homem ou mulher desprezados.


Entrega tudo.


No caso do PT, há muito que entregar.


A casa caiu.