Novas oposições
A proximidade de ano eleitoral desencadeia curiosas reações em partidos políticos. De repente, não mais que de repente, velhos aliados se separam. Pilares de uma base viram oposição. O cidadão cartesiano, aquele que acredita em ideologia como conjunto de ideias definidoras de um projeto, fica estarrecido. Ingênuo, sabe de nada. O PSDB, que ajudou Michel Temer a surrupiar o poder, já desembarcou. Os tucanos são um caso de estudo clínico. Sempre se apresentaram como representantes da modernidade e da racionalidade. Defendem uma reforma da Previdência radical, mas muitos deles não votarão na atual, proposta pelo governo do PMDB, por mero cálculo eleitoreiro. Uau!
Temem perder votos em 2018.
Tucanos andam com as penas queimadas. O medo das urnas faz negar as ideias mais caras e difundidas. Tudo se transforma em função da proximidade de um pleito. Como pode um partido ficar três anos num governo e virar oposição no começo do quarto apenas por ser ano eleitoral? De fato, a política é dinâmica e segue regras muito particulares. Deve ser isso que explica os 60% de desaprovação popular ao Congresso Nacional. Quem pode confiar em alguém que passa da situação à oposição estrategicamente para ludibriar o eleitor e se mostrar como não foi durante anos?
Partidos políticos não seguem qualquer lógica compreensível a homens comuns, salvo a de levar vantagem. Haverá em certos lugares alianças entre o PT golpeado e o PMDB golpista, entre o PT de esquerda e o DEM de direita, entre inimigos de todos os quilates. Políticos ainda não assimilaram a noção de transparência. Continuam atuando como jogadores de pôquer ou atores. Vivem de dissimulação. Se querem ir para um lado, fingem que vão para o outro. Adoram pensar que atuam num tabuleiro movendo peças num jogo a ser decodificado por espíritos treinados. Mentem, omitem, disfarçam, enganam, encenam e pontificam:
– Coisas da política!
Quando criticados por esse tipo de volubilidade, as velhas raposas balbuciam alguma tentativa de explicação racional. Acossados, sorriem ironicamente e até deixam escapar uma frase de “sabedoria”:
– Sempre foi assim...
Ainda se fará um filme com os discursos de peemedebistas contra a corrupção durante o final do governo de Dilma. Os atores que interpretavam os indignados moralizadores viraram a tropa de choque do atolado em acusações de corrupção Michel Temer. Nunca tantos foram tão cínicos em tão pouco tempo. Por que não recebem troféus como atores coadjuvantes? A política é a arte da dissimulação para atingir objetivos nem sempre claros. A plebe entende melhor o termo enganação.
Tempo de eleição, tempo de novas e oportunas, ou oportunistas, oposições. O PDT no Rio Grande do Sul é mestre em ser situação durante três anos e oposição durante um. Nessa geleia geral a firmeza de posição e a coerência são esculhambados como radicalismo e falta de flexibilidade ou de espírito cívico de colaboração. O político hipermoderno só é profundamente ideológico no quarto ano de um governo. Nos outros, vive surtos de colaboracionismo e pragmatismo.
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Hoje tem Grêmio e Pachuca.
O Grêmio é favorito.
O futebol é um imaginário.
Tudo se joga entre o provável e o improvável.
Talvez seja isso que mexe conosco.
Pensar a própria vida como uma bola na trave.
Ou um chute na veia que muda tudo no último segundo.
Sair da rotina e da probabilidade pelo lance inusitado.
Cada bola é uma chance.
Cada chance aproxima do mito.
É tão simples como ganhar na loteria.