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Só os ruralistas ganharam

Agronegócio conseguiu o alívio reclamado

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O texto-base da Reforma da Previdência passou na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Agora, vai para discussão e votação em plenário. Policiais perderam. Não adiantou o apoio do presidente da República. Professores foram sacrificados. O ilustrado Alexandre Frota comandou a guerra contra os "privilégios" dos docentes.

Só os ruralistas ganharam. Uma vitória pessoal do deputado gaúcho Jerônimo Goergen, que aprovou destaque dando um senhor refresco ao setor. O conservador jornal O Estado de S. Paulo resumiu assim a vitória ruralista:  "A Comissão Especial da reforma da Previdência encerrou a votação da proposta, depois de 16 horas de debates, devolvendo ao setor rural um benefício tributário que retira R$ 83,9 bilhões da economia esperada de R$ 1,071 trilhão. Passava de 2h da madrugada desta sexta-feira, quando os deputados aprovaram requerimento (sugestão de mudança de um ponto específico) apresentado pelo bloco formado pelos partidos PP, MDB e PTB. O texto mantém a isenção da alíquota de 2,6% sobre a comercialização de produção agrícola como contribuição previdenciária, desde que parte seja exportada"

Teve mais: "O destaque também retira a trava que impedia o perdão da dívida do Funrural, a contribuição paga pelo produtor rural para ajudar a custear a aposentadoria dos trabalhadores".

Resultado: "A aprovação por 23 a 19 do destaque significa um recuo de quase R$ 84 bilhões na economia prevista com a reforma da Previdência, que perdeu a marca de R$ 1 trilhão tão perseguida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Agora, em dez anos, a proposta, se aprovada, economiza R$ 987,5 bilhões. 

Como foi possível tal alívio para o setor rural de acordo com o Estadão: "A medida atendeu ao lobby dos ruralistas que fizeram uma grande mobilização com a bancada na Câmara e com Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) junto ao presidente Jair Bolsonaro".

Não era para combater privilégios?