Juremir Machado da Silva

Saúde e cotas, duas visões de mundo (1)

Saúde e cotas, duas visões de mundo (1)

1) Em primeiro lugar, a prevalência mediante cotas é vedada na Carta Magna brasileira (Constituição)...que tem em suas cláusulas pétreas, claro, explícito e insofismável preceito contra discriminação étnica e racial. Eu sei que leis
podem mudar....mas o fato é que a lei atual, lei essa que fundamenta o âmago do Estado brasileiro, é contrária a quaisquer tipos de discriminação..e enquanto uma lei estiver vigendo, ela deve ser cumprida;

2) Em entrevista do prof. da UFRGS, André Marenco, concedida à TV Câmara, fiquei abismado com a profusão de incongruências abissais e inconsistências oceânicas de um mestre universitário. Dizia ele que quando um candidarto preenche o formulário de inscrição no vestibular, cabe ao próprio candidato declarar sua etnia. Portanto, é uma auto-declaração, onde se pode livre e inverificavelmente marcar a opção que se deseja. Não há banca ou comitê que avalie a veracidade da informação prestada pelo vestibulando. Paralelamente ele disse que não há modo científico de se demonstrar que uma pessoa é ou não é de determinada raça. Simplesmente isso não pode ser feito do ponto de vista técnico.
Como consequência dessa declaração, a repórter o questionou se alguém, de características caucasianas ou asiáticas informar que é afro-descendente, o que a UFRGS poderia fazer? O professor pensou e disse; Olha...quem sabe poderíamos adotar uma postura de levar o candidato a um constrangimento perante sua informação.
Ora! Mas veja só, Juremir. O professor informa que não há método científico capaz de comprovar a etnia de uma pessoa e ao mesmo tempo quer constranger pessoas com fenótipo não-conforme ao perfil negro? Mas o que é isso? Querem constranger (assédio moral e perseguição) uma pessoa por algo que não podem comprovar que ela tenha feito de errado? Isso é o supra-sumo da antinomia. Jamais imaginaria que um professor universitário pudesse ser tão descuidado e ingênuo ao contatenar ideias. Isso, por si só, já indica e demonstra o quão despreparados estão os nosso formadores de opinião. Pior de tudo é que fazem parte do corpo docente de uma universidade. "Ensinando a não pensar";

3) Agora vamos nos abster da Constituição e ingressar na etimologia do termo "afro-descendente"", que é a nomenclatura usada para designar e tipificar pessoas da raça negra, quando da formatação dos editais nos concursos públicos e normativas para ingresso em algumas universidades.
Etimologicamente falando, o prefixo "afro" se refere ao continente africano e jamais a uma etnia ou raça. Afro-descendente é pois, uma pessoa que descende do continente africano, o que em hipótese alguma significa dizer que apenas os negros estejam nesse rol. Não só os mouros como egípcios, líbios, marroquinos e argelinos também são afro-descendentes, assim como o são, descendentes de quaisquer pessoas que nasceram em território africano, tais como os ingleses, franceses e portugueses que colonizaram alguns países africanos.
Destarte, a terminologia "afro-descendente" refere-se única e exclusivamente ao continente africano;

4) Segundo a quase unanimidade dos cientistas, antropólogos e especialistas na área, todos nós humanos somos de fato afro-descendentes. Não interprete esse item 3 como um deboche, pois nada de jocoso ele possui e a explicação vem a seguir; Segundo a esmagadora classe de pesquisadores e antropólogos, o Homem (homo sapiens sapiens) surgiu nas savanas africanas. Portanto, caro Juremir...para espanto dos defensores de cotas, nós todos somos afro-descendentes. Exatamente, amigo. Sem volteios nem retórica....somos todos afro-descendentes. Volto a glosar o termo afro-descendente, pois é o termo que as universidades e responsáveis pelo gerenciamento de concursos públicos com cota usam em seus documentos de preenchimento distribuídos os candidatos. Se querem fazer a coisa de modo menos equivocado, então que troquem de afro-descendente para negro;


5) Um dos argumentos de que um afro-descendente? (negro) precisa ser beneficiado mediante uma prova de ingresso, pois assim se faria uma espécie de justiça com os menos favorecidos e se daria uma oportunidade a mais para a etnia em questão...é absolutamente capega e lesa-patrimônio , pois para que uma pessoa entre numa universidade ou serviço público, outra vai ficar de fora. Não há a tão falada inclusão. Há uma substituição...e uma substituição deletéria do ponto de vista social...pois uma pessoa vai ser aprovada com nota inferior ao de outra com maior pontuação. Assim sendo, quem perde é o povo, que vê um candidato menos capacitado, assumindo um posto público ou uma cátedra em detrimento de uma pessoa mais preparada....justamente por causa do cotismo. O mérito vai pro espaço em detrimento de uma filosofia tacanha e destituída de qualquer senso. Note o tamanho da injustiça e do prejuízo à sociedade! Uma discriminação ad hominem;

6) Agora vamos a uma hipótese plenamente plausível; O filho do Pelé tirando a vaga de um "branco causasiano" pobre, que passou muitas dificuldades para chegar a um vestibular. Está correto o filho de um "afro-descendente?" abastado, que tirou uma nota inferior ao filho de um branco pobre, tomar-lhe a vaga num concurso público e numa universidade? Isso é justiça social? Essa deve ser a tão famosa "discriminação positiva"...termo proferido e criado por alguns sociólogos de plantão. Fico cá pensando; discriminação positiva não seria o perfeito sofisma? Que ironia hein, Juremir;

Resumindo: O etno-cotismo é uma filosofia sócio, etmológica e éticamente espúria, desprovida de qualquer fundamentação lógica e cognitiva. É uma concepção natimorta, visto que baseada em uma série interminável de paralogismos e impropriedades grotescas. Mas o problema apenas começa aí; o que se está "imbecilmente" criando e alimentando é um ódio coletivo de parte a parte....donde pessoas prejudicadas pela onda do teor de melanina subcutânea, começarão a reagir furiosamente frente à ablepsia do justicialismo pitoco e nauseabundo que alguns sacripantas tentam engendrar na sociedade brasileira;


Esteja autorizado a publicar o meu texto se achares por bem.

Abraços,
José Augusto Marchand Castro.

(acréscimo em novo e-mail de José Augusto para rebater a observação deste blogueiro de que já havia lido muitas  vezes argumentos equivalentes):

Ler não é suficiente, para alguns. Quando certas concepções surgem eivadas de erros crassos, a filosofia do lance todo se esvai em si mesma.
No dia em que o mérito for suplantado pela cor da pele de alguém, perde a humanidade como um todo. Racismo institucionalizado. O próximo passo é beneficiar os criminosos. Apenas uma questão de tempo.

Mas eu digo uma coisa; no frigir dos ovos, eu não sei porque as pessoas se estressam tanto e geram tanta polêmica frente ao episódio das cotas. Em realidade, basta que todos declarem-se afro-descendentes quando do preenchimento de suas informações étnicas. Como não há ninguém no mundo capaz de aferir se uma pessoa descende ou não da raça negra (ou de qualquer raça), tá tudo na boa. O papel aceita tudo...ele não vai complicar, e a ciência não tem como meter o bedelho nessa inverificabilidade pura.
Meio milênio de miscigenação de raças no Brasil e alguns justicialistas querendo outorgar benesses a pessoas exclusivamente pelo fenótipo. Hilariante. Essa é a chamada síndrome de Robin Hood em estado de decrepitude.