Ficamos reunidos toda a segunda-feira.

Tem gente da Austrália, da China, de vários países africanos e de vários países europeus. Além de Canadá, Argentina e Brasil.
Discutimos muitos problemas acadêmicos e sociais.
A França está na estação dos protestos.
Camioneiros bloqueiam estradas contra a ecotaxa, um imposto de cunho ecológico. Não faz muito tempo, manifestantes queimaram praças de pedágio. Nas ruas estão também manifestantes contra o racismo.
E prostitutas em luta contra um projeto de lei de penalização dos seus clientes. Cartazes: "Prostitutas sem clientes procuram cargos no governo".
A popularidade do presidente François Hollande lambe o chão.
Discute-se o fim da reeleição presidencial (dois mandatos de cinco anos). O presidente passaria a ter um mandato único de sete anos.
Um líder de direita defende que para criar mais empregos é preciso flexibilizar a legislação do trabalho de modo a se poder demitir mais facilmente. Os trabalhadores se o encontrassem gritariam:
– Dã!
Uma jornalista foi beijada por um manifestante enquanto fazia seu boletim ao vivo para a televisão. Outra, perguntou candidamente a um pré-candidato de direita à eleição presidencial de 2017:
– Por que a direita nunca se manifesta contra o racismo?
Ele responde ainda mais candidamente que a direita faz isso do seu jeito.
Na França, ninguém duvida da existência de direita e esquerda.
Nem a direita.
Minha próxima vinda a Paris deve ser em outra frente, a Jornada do Centro de Estudos do Atual e do Quotidiano (CEAQ), dirigido por Michel Maffesoli.
Sociologia da mídia e sociologia do imaginário são coisas muito sérias.
Na França.