Sexta-feira, 13 de agosto, dia de cachorro louco e de escritor maldito
Sexta-feira, 13
Sou um escritor maldito.
Alguns não entendem isso.
Eu sei do que falo.
A maldição é mais profunda do que o gozo aparente.
Escolhi esta sexta-feira, 13 de agosto, para lançar minha “Trilogia de Palomas”, numa bela caixa, a partir das 18 horas, no casarão mais recheado de histórias de Porto Alegre, o prédio do Correio do Povo.
Escrevi essa trilogia como uma homenagem ao meu pai e a todos os homens simples que lutam, acertando e errando, por uma vida melhor. Mas escrevi esses livros, antes de tudo, para as mulheres, a começar pela minha mãe, Eneida, e pelas professoras, Madalena e Eulália, que, em Palomas, faziam das tripas coração para mudar nosso mundo pela educação.
Meus livros contam a história de um menino, depois homem feito, em busca da felicidade e do bem.
Sem pregações ou mensagens, minha trilogia é um tributo às mulheres, meninas, mulheres cheias de desejo, mães, avós, mulheres que transformam a vida dos homens com suas convicções e coragem.
Minha trilogia é um tributo às professoras.
Compreendi isso aos poucos.
A civilização, acredito cada vez mais nisso, vem das mulheres.
Em Palomas, enquanto os homens queriam repetir eternamente os mesmos gestos, as mulheres queriam mais para seus filhos, maridos, homens. E percebiam claramente que só havia um caminho: a escola.
Chegava um momento em que as mulheres forçavam seus homens a tomar o rumo da cidade para que os filhos continuassem a estudar.
Eu vi, sem entender bem, na época, mulheres lutando contra a violência, contra a tradição, a nostalgia do passado, o preconceito, a ignorância e até contra a ditadura.
Se eu pudesse, pegaria a edição inteira da minha trilogia e a distribuiria na porta das escolas.
Seria o meu ato mais sincero de agradecimento a todas essas professoras que nos formam, forjam e lapidam na dificuldade e na paixão.
Quero que a minha sessão de autógrafo desta sexta-feira, 13 de agosto, seja uma homenagem a todos nós, malditos, escritores marginais, professores, sempre tão maltratados pelos poderosos, mulheres, que ainda morrem apedrejadas em alguns países, que ainda precisam de uma lei, aqui no Brasil mesmo, que as proteja da violência doméstica, que nos fascinam com sensibilidades superiores.
A mulher é a utopia, o desejo.
O homem, a necessidade, a política.
Nesta sexta-feira, 13 de agosto, quero exorcizar meus fantasmas.
Meu sonho é beber champanha cercado por minhas mulheres de todas as idades.
Há em meu coração um lugar especial para aquelas que, com mais de 70 anos, me revigoram a cada novo dia.
Mas receberei com carinho também as de 17, 19, 23, 30, 40, 50 anos de idade.
Não maltratarei os homens.
Reservarei para eles um bom autógrafo e um beijo na face. Em Paris, eu trocava, como todo mundo, até quatro beijos na face com meus amigos cada vez que nos encontrávamos. Não, isso não é uma ameaça para afugentar os homens.
Hoje, eu serei o Vampiro de Palomas. Deixarei minha marca no pescoço de todas as mulheres da minha vida de escritor. Não quero ser lobisomem. Não pretendo uivar para a lua cheia. Quero mesmo é fazer serenata. Uau!