Show do João Bosco
Fui ver o show do João Bosco.
Lindo.
E simples.
Como é bom sair domingo à noite.
Toda vez que eu deixo de ver televisão, me sinto mais inteligente.
Meu cérebro respira, amplia-se, dispara.
Televisão domingo à noite "apatifa" a vida.
Ficamos "acalhados".
João Bosco tem a suavidade dos poetas tristes e a aspereza dos criadores de grandes métaforas.
A música é sempre o melhor do Brasil.
Melhor inclusive do que o futebol.
Um compositor quer sempre mostrar as novidades.
O público quer ouvir o que já conhece.
João Bosco equilibrou-se entre o novo e o antigo.
Saí de alma lavada, sentindo-me um cara legal de bom gosto, livre do peso gorduroso dos programas dominicais.
Acho que nunca mais vou ficar em casa sabado ou domingo à noite.
Ou vou ficar sem ligar a televisão.
Domingo que vem, podem apostar, irei ao show da Alcione.
Continuo musicalmente nacionalista: não tem para ninguém. Somos bons demais.
João Bosco é mil.
E não é melhor.
Somos terríveis.
Em compensação, temos os piores programas dominicais de televisão da galáxia.
Graças a João Bosco, esta segunda-feira me parece melhor.
Recuperei parte do respeito pela humanidade.
Não todo, claro, pois ouvi o noticiário de Brasília.