Juremir Machado da Silva

Sobre as mortes em Palomas e outros recados (2)

Sobre as mortes em Palomas e outros recados (2)

Juremir:
Teu folhetim foi um dos melhores que eu já li em jornal.
Fábio Lima

Juremir, meu neto, tenho 83 anos. Adorei teu policial em Palomas. Quero mais.
Neomar

Caro Juremir,
Sou uma leitora e admiradora de tua coluna. Graças à Deus tens o dom de escrever. Felizmente não fostes para outra profissão onde serias péssimo ou medíocre, pois és excelente no que fazes. Agora, chega de rasgação de seda.
Várias tive vontade de me expressar sobre algum assunto abordado por ti, mas nunca como hoje. Finalmente chegastes no ponto. Conseguistes unir animais com calouros universitários.
Falastes em questões, que faz tempo, me retorcem o coração. Te peço que não percas esta linha de pensamento sobre elementos tão distintos, num primeiro momento, mas que no cerne representam a mesma coisa. Fico feliz. Alguém falou sobre isto. Obrigada!!!
Vou fazer um resumo do meu mundo: Sou engenheira agrônoma, sempre trabalhei no serviço público em pesquisa científica, ensino e agora na fiscalização. Transitando entre dois mundos, o do arroz integral com trilha ecológica e aquele do churrasco com férias em Punta del Leste, vivo o conflito interno do certo e errado com relação à várias questões: ambiente, consumismo, luta de classe, etc.
Atualmente moro no interior do RS, mas já morei em Porto Alegre. Sabes que o significado do "animal" muda após alguns quilômetros de distância da capital? Claro, pois já morastes no interior do RS.
Admirava-me demais em Porto Alegre com o tratamento dado aos pets, por pessoas com quem eu convivia. No início, até me revoltava o exagero com gastos em clínicas e petshops. Finalmente, entendi que é a compensação quando se convive com a solidão e o medo de auxiliar pessoas necessitadas. Abres a janela do teu carro no sinal de trânsito e conversas com os "guris de rua"?
Pois é, se afagares um cãozinho de rua, com certeza não serás agredido. Assim, os pets adquirem o lugar de companhia terna e confiável. Seres frágeis que podem ser protegidos sem que nos causem algum dano. Acho isto formidável pois sou apaixonada por animais. Entretanto, vejo com tristeza o descaso e o medo com relação às crianças jogadas nas esquinas de POA.
Bem, no interior fica um pouco diferente. Eu, por exemplo, trabalho com alguns veterinários que gostam de animais "úteis", isto é, que prestem serviço, possam ser comidos ou tenham valor comercial. Na visão de alguns é " viva a carrocinha". Isto até já me causou alguns problemas, pois sou a " maluca" que dá ração para os cães na rua. Mas, os mesmos, também não gostam de gente de rua. Até, talvez alguns apoiassem a carrocinha para gente de rua. Já ouvi muito comentário absurdo, do tipo: escolheu estar na rua, com o tempo acostuma e nem sente frio (comentário feito durante aqueles nossos invernos da fronteira).
O tipo de pessoa é o mesmo, em qualquer lugar do mundo, aquela que enxerga o ser vivo, seja humano ou animal, que não atenda os seus padrões do útil e do certo ou que representem alguma ameaça ao seu bem estar como algo a ser eliminado. São as mesmas pessoas que agridem as minorias(gênero ou raça), que criticam os menos favorecidos(classe social, estética) e que andam pela vida a competir por qualquer migalha que os faça se sentir "mais ou maiores". Subjugar os mais fracos, como nos trotes universitários. Exaurir cavalos até a morte em cavalgadas sem sentido. Dirigir carros em alta velocidade. Agredir pessoas subalternas. Todas estas atitudes fazem parte do elenco de sociopatas que estão entre nós e se multiplicam.
Não é governo, não é religião, não é o exemplo familiar que os gera. É a sociedade que permite que se desenvolvam e que deverá criar mecanismos para controlá-los.
Sempre me alivia o pensamento de que como eu, existem muitas pessoas que respeitam e tentam proteger os mais frágeis: humanos ou animais.
Continue brilhante e um abraço.
Maria


Juremir, não é de hoje que quero te parabenizar pelas tuas matérias no jornal Correio do Povo. Sou tua fã. Mais uma das muitas admiradoras do teu talento jornalístico e literário.
O interessante é que tu expressas o pensamento de muitos de nós, tornando-se assim o porta-voz de uma parcela da sociedade.
Na matéria de hoje (03.03) ¨A cultua da judiaria¨a tua abordagem não poderia ser mais oportuna.
A maldade praticada contra pessoas e animais sempre me deixam indignada. E o que me dizes da crueldade com que são tratados os animais de circo, obrigados a práticas que vão contra sua natureza.
Eventualmente, quando um ou outro se rebela e ataca o treinador gerando uma tragédia, é chamado de assassino.É revoltante.
Quero reafirmar minha admiração ao teu trabalho e dizer que é um privilégio ser tua leitora.
Um carinhoso abraço
Neleir Tavares Paz