Juremir Machado da Silva

Sobre racismo no exército brasileiro

Sobre racismo no exército brasileiro

O historiador Fernando Rodrigues acaba de lançar, Indesejáveis, um livro no qual mostra que o exército brasileiro adotou medidas para impedir o ingresso de negros, judeus e muçulmanos nas suas fileiras.
Especialmente entre 1937 e 1945, durante o Estado Novo.
O ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, era um bronco racista.
Há quem prefira absolver o glorioso exército e estúpido Dutra com o tradicional: era os valores de época.
Valores de quem? Dos racistas.
Milhares de pessoas opunham-se ao racismo nesse tempo.
Milhões de pessoas lutaram contra o nazi-fascismo.
Tinha-se consciência do que era discriminação.
Não se pode absolver tão facilmente o passado com essa conversa fiada de "valores da época".
Em qualquer tempo, as vítimas do racismo souberam que eram vítimas e o que era racismo.
A história é sempre o presente lendo o passado.
Mas um presente capaz de identificar as  contradições no passado.
Se ninguém se opusesse ao racismo na época, até se poderia dizer que noção de racismo era inexistente e que, portanto, não se estava aparelhado para denunciá-lo e evitá-lo.
O grande Joaquim Nabuco denunciou com brilhantismo o racismo no século XIX.
José Bonifácio fez isso antes de Nabuco.
Ruy Barbosa bateu na mesma tecla.
Nada apaga a estupidez de políticas públicas discriminatórias.
O resto é conversa para boi dormir.
Em pé.